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28 de out. de 2010

Ingrid Newkirk comenta o caso dos urubus da Bienal

Esse artigo da presidente da PETA, Ingrid Newkirk, sobre os urubus da bienal, tinha me passado desapercebido, mas fui alertado sobre ele na última edição da newsletter da ARCA. Como diz o ditado, antes tarde do que nunca, ela diz exatamente o que penso sobre este episódio infeliz.


Bienal de São Paulo, chega de rapinar aves

Como é o caso de todas as obras de arte pensadas unicamente com o intuito barato de chocar, o trabalho "Bandeira Branca", de Nuno Ramos, com urubus vivos, que está sendo exposto na 29ª Bienal de Arte de São Paulo, procura incitar controvérsia ao provocar um debate sobre os parâmetros da arte.

Mas isso diz respeito a mais do que simplesmente arte de má qualidade. Na medida em que os meios inanimados tradicionais usados para chocar foram se tornando corriqueiros, alguns artistas passaram a fazer uso da crueldade para com os animais.

É o caso da instalação atual de Nuno Ramos, na qual três urubus vivos estão presos em um cercado equipado com mais de 50 alto-falantes que bombardeiam as aves, dia após dia, com uma cacofonia sonora constante e caótica.

Obras sensacionalistas que abusam de animais são simplesmente crueldade que se faz passar por arte. Isso não é alguma censura artística empolada, mas uma crítica inerente aos artistas que desejam se colocar acima da lei quando exploram animais para compensar uma falta de visão e expressão.

Eles se posicionam como os "bad boys" (e às vezes "bad girls") que não se deixam restringir pelos limites. Mas a sociedade depende da imposição de limites às condutas que comprometem os valores que traçamos por razões válidas, como, por exemplo, proteger os vulneráveis contra danos gratuitos.

Usar animais vivos dessa maneira degradante e prejudicial é, na melhor das hipóteses, extremamente estressante, e pode até mesmo ser letal. Os animais em confinamento têm seu ritmo cardíaco acelerado pelo medo; sua audição frequentemente é muito mais aguçada que a nossa, e ruídos constantes são vistos como meio de tortura.

Há também o estresse constante provocado por estarem em um ambiente não natural, que não lhes é familiar, e por terem estranhos aproximando-se deles constantemente. Essas aves estão sendo privadas, também, de tudo o que é importante para elas: privacidade, iluminação natural, ar fresco e, crucial para seu próprio ser, a liberdade de voar para fora desse espaço.

Em seu habitat natural, os urubus são aves extremamente mansas, sociáveis e avessas a confrontos, que costumam empoleirar-se em grandes grupos.

Monógamos, eles formam casais vitalícios e dividem o cuidado de sua prole. Sendo as mais importantes aves do mundo a se alimentar de carniça, são vitais para a manutenção da saúde e da beleza de nosso meio ambiente.

Os artistas que empregam animais como meio inanimado a ser manipulado em nome da "arte" são um tipo distinto de ser que se alimenta de carniça.

Eles se alimentam da notoriedade proporcionada pelo abuso dos animais, usando-a em substituição ao talento. Esse tipo de exploração não é consensual, e os animais estão à mercê do artista, que atua com crueldade.

A Peta (pessoas pelo tratamento ético de animais, na sigla da ONG em inglês) pede que museus de arte assumam o compromisso de traçar políticas bem definidas sobre o bem-estar de animais.

O Chrysler Museum of Art, em Norfolk, Virgínia (EUA), por exemplo, definiu a seguinte política: "O museu não exporá nem promoverá a exposição de obras de arte que incluam o uso de animais vivos, envolvam a morte de animais ou incorporem os corpos de animais mortos especificamente para a produção de uma obra de arte".

Em nome da sociedade e das pessoas compassivas em todo o mundo, exortamos a Bienal de Arte de São Paulo a implementar a mesma política e a agir imediatamente para retirar os urubus da criação de Nuno Ramos.

Enquanto isso não for feito, devemos todos elevar nossas vozes como uma só para reivindicar liberdade para os urubus!

Artigo publicado na Folha de São Paulo em 08.10.2010, mesmo dia em que, por ordem da Justiça, os três urubus-de-cabeça-amarela foram retirados da obra “Bandeira Branca”, em exposição na Bienal.

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26 de set. de 2010

A legalização da exploração de animais em exposições de arte precisa acabar

Esta semana, uma das estórias que acenderam o debate na arena dos direitos animais foi a presença de três urubus em uma instalação da Bienal de São Paulo feita por Nuno Ramos. Os urubus ficam confinados em um viveiro grande, porém com música alta e obviamente objetificados como meros elementos de cena em um projeto de alguém completamente irrelevante para eles.

Em uma entrevista ao programa de TV do Jô Soares, Nuno disse que demorou dois anos até encontrar as aves, já que elas são protegidas por lei. Ele finalmente se deparou com um treinador de falcões no Sergipe que criava os urubus e como eles nasceram em ‘cativeiro’, o Ibama deu licença para o uso dos animais. Ou seja, Nuno efetivamente procurou um buraco na lei para poder levar a cabo seu projeto.

Em relação a esse detalhe técnico, está na hora de o Ibama parar com esse legalismo e se dar conta de que o problema não é se o animal nasceu em cativeiro ou não. Para ele isso é irrelevante. O problema é explorar animais, ponto final. Animais não são coisas que podem ser postas a serviço da vaidade de uma pessoa, independente do suposto ‘bem-estar’ pelo qual a organização diz zelar. Como o Ibama pretende acabar com o tráfico de animais enquanto apóia a exploração desses é um mistério para mim.


A instalação tem o nome de Bandeira Branca e fica no vão central do prédio da Bienal. A maior parte,inclusive telas,são feitas com material escuro, e os animais convivem permanentemente com o som de músicas como Carcará, Bandeira Branca e Acalanto, com muitos alto-falantes instalados em caixas de vidro.

Não é a primeira vez que Nuno Ramos explora animais em benefício próprio. Em 2006, ele usou com burros em uma instalação onde os animais eram obrigados a portar grandes caixas acústicas amarradas no seu lombo. A instalação foi exibida no Instituto Tomie Ohtake.

Ativistas já se mobilizaram e estão protestando contra mais esse caso de arrogância e falta de ética. A questão aqui não é censura. O artista tem o direito de fazer o que quer, se expressar livremente mas com certeza ele não tem direito de causar sofrimento e reforçar a opressão. Imagine se para tratar de um tema como o estupro de mulheres, digamos, o artista tenha que reproduzir uma cena real em sua instalação ou filme? Animais podem ser usados na arte, desde que como representação e não forçados a participar de algo que para eles não tem significado algum.

A legislação ambiental, inclusive a Lei de Crimes Ambientais, em seu Art. 32 criminaliza quem pratica abusos, maus-tratos, fere ou mutila animais.

“Os animais evidentemente não estão em situação de bem-estar, não têm liberdade nem para se esconder e se alimentar. Essas aves, na natureza, recolhem-se ao final da tarde. A arte, a meu ver, não pode ser cega para o sofrimento e os incômodos causados a qualquer forma de vida”, disse o vereador Roberto Trípoli.

Criticar obras de arte baseadas no sofrimento de animais não é um ato de repressão e censura, como alguns detratores podem querer alegar. Um artista, por mais iconoclasta ou rebelde que seja, jamais cogitaria a possibilidade de explorar um ser humano em uma instalação. Se ele considera a possibilidade de explorar um animal como algo aceitável, é porque ele não tem a capacidade de analisar seu próprio preconceito contra outras espécies; ele não consegue transpor sua própria atitude antropocêntrica. Ou seja, por trás de um verniz de vanguarda, ele na verdade é um conservador.

Em tempo: no Rio de Janeiro o uso de periquitos em uma instalação na artista Rosana Palazyan na casa França-Brasil, onde os animais seriam usados para ler a sorte dos visitantes, foi proibida pela Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais com base na lei 3.402 de 22 de maio de 2002. Mais uma vez o Ibama havia dado autorização para essa exploração dos animais, mas felizmente o bom senso prevaleceu. Esperamos que o mesmo aconteça no caso dos urubus da Bienal.


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24 de set. de 2010

Animais em exposições de arte: não

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Esse negócio de usar animais em exposições de arte parece ter virado mania. Há o caso de Nuno Ramos na Bienal e o de um periquito no Rio, que felizmente foi barrado. A arte tem que ser livre mas como tudo, essa liberdade termina quando a liberdade alheia começa. É simples assim.

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2 de mar. de 2012

Prefeitura americana proíbe artista de matar galinha como parte de uma residência artística

Como Amber Hansen pôde achar que poderia fazer um trabalho como esse como parte de uma residência em um museu, é realmente difícil de acreditar. 

29 de nov. de 2010

Encyclopaedia Britannica tem blog sobre direitos animais

Se você entende inglês, eu recomendo uma visita ao excelente blog de direitos animais que a icônica Enciclopédia Britânica publica em seu website. Ele é atualizado sempre e as postagens são profundas e inteligentes. Hoje mesmo eu li esse artigo sobre a exploração de animais na arte conceitual (está ouvindo, Nuno Ramos?). Enfim, mais um destino bom para quem quer se aprofundar no assunto e aumentar o nível do debate.

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20 de set. de 2014

Cacá Diegues e o ego do artista

É sempre uma pena ver um artista que você admira meter o pé na boca. É o caso de Cacá Diegues que está sendo confrontado por sua infeliz ideia de usar animais de circo em um filme chamado O Grande Circo Místico, ainda em fase de pré-produção.

O filme se passa no começo do século XX em torno de um circo que explora animais, o que em si não é problema. Mas Diegues usará animais de verdade, ou seja, reproduzirá a exploração animal na tela em nome de um projeto que ainda por cima no Brasil seria inviável, já que a lei proíbe. Para evitar a lei, a produção rodará as cenas circenses em Portugal.

Uma petição foi organizada pedindo que Diegues respeite os animais e use efeitos especiais, o que é perfeitamente possível hoje em dia com CGI, ou seja, imagens geradas por computador, como é o caso do Planeta dos Macacos. O fato do uso dos animais de circo ser proibido no Brasil deveria ter sido suficiente para alertar o diretor para o lodaçal ético no qual ele está se metendo.

Diegues respondeu a petição educadamente mas sua resposta foi um tanto quanto rasa, considerando sua bagagem artística. Ele disse: 

“É mais ou menos como se estivéssemos fazendo um filme sobre o nazismo e a crueldade dos campos de concentração na primeira metade do século XX: não poderíamos deixar de mostrar as vítimas daquela brutalidade, privadas de liberdade, mal tratadas e humilhadas por seus algozes.”

Esse texto não faz o menor sentido. Quer dizer que para representar o passado você precisa reproduzi-lo literalmente? Precisamos fazer uma viagem no tempo para estudar história? Atores humanos podem representar situações de crueldade contra humanos porque eles o fazem voluntariamente e são pagos para isso. Quanto aos animais, a única forma de fazer isso é forçando-os ao trabalho com treinamentos pesados e cruéis. Uma rápida pesquisa no Google revela para quem quiser saber o que acontece com os animais em circo.

Infelizmente esse tipo de atitude é comum no meio artístico que, assim como religiosos usam a liberdade de culto para defender ações que afetam negativamente outros, apelam para uma definição distorcida de licença artística. O artista precisa reconhecer quando um projeto não é viável.

Muita gente deve lembrar quando Nuno Ramos colocou um urubu na Bienal de São Paulo. Alguns anos antes ele havia colocada um burro carregando uma caixa de som dentro de uma galeria de arte, uma verdadeira tortura.

A matéria prima da arte é a imaginação. O artista não tem a liberdade de fazer o que quer se isso incluir a violação de direitos de outros. Usar leis defasadas e escapar para outros territórios para escapar dos enquadramentos éticos de sua própria cultura é o equivalente artístico-moral de transferir dinheiro para um paraíso fiscal para não pagar impostos.

8 de out. de 2010

Urubus são retirados de obra da Bienal de São Paulo


Os três urubus que foram confinados para integrar a obra Bandeira Branca, do artista Nuno Ramos, na 29.ª Bienal de São Paulo, foram retirados do pavilhão da Bienal, na madrugada desta sexta-feira, 8. A remoção ocorreu neste horário, com o pavilhão às escuras, para que os animais não ficassem assustados. “Tem de esperar os urubus dormirem um pouco para depois pôr na gaiola”, afirmou ao Estado, ontem, o segundo o produtor-executivo da mostra, Emilio Kalil. (Ler mais +)


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2 de out. de 2010

Ibama dá prazo de 5 dias para Bienal tirar urubus de instalação

Mais um exemplo de que protestar surte efeito:

O protesto de ambientalistas contra a exposição dos três urubus de cabeça amarela que fazem parte da obra Bandeira Branca, do artista plástico Nuno Ramos, na 29.ª Bienal de São Paulo, surtiu efeito. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de São Paulo notificou os responsáveis pela mostra e deu um prazo de cinco dias para que os animais sejam retirados e retornem para o Parque dos Falcões, em Sergipe, onde são criados por José Persílio Costa. (Ler mais +)

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22 de mar. de 2011

Artista explora galinhas para filosofar sobre a banalidade da vida


O mercado de arte funciona como o mercado de ações: quando um setor está em alta, todo mundo investe. Infelizmente uma das tendências mercadológicas atuais de artistas de pseudo-vanguarda que querem chocar é usar animais e violência contra eles ou elas em suas exposições. 


Ouvimos falar do colombiano que deixou um cachorro passar fome em uma exposição. Depois veio o francês que mostrou vídeo de animais sendo marreteados no México. E mais recentemente no Brasil Nuno Ramos teve que remover os urubus da Bienal de São Paulo que ele insistiu em explorar em exposição. 

O brasileiro Victor de La Rocque se especializa em galinhas, que ele explora em performances, e já chegou amarrar várias delas no próprio corpo. Segundo Victor, a galinha “é o símbolo de uma perturbação com a brutalidade desmedida, habitual.” Ele segue agora para Bogotá onde estará explorando galinhas no festival Trampolin Itinerante. Ele atravessará a rua com uma galinha para “esvaziar uma atitude cotidiana”. Ele levará uma galinha a igreja e depois colocará ovos no seu próprio ânus para depois pô-los em “analogia ao modo como as galinhas o fazem”. 

Não importa o tipo de arte que se faz. Performance já produziu trabalhos belíssimos nas mãos de Yoko Ono e Marina Abramovic, mas o que Victor de La Rocque faz parece ser, literalmente, o caso de alguém que ouviu o galo cantar mas não sabe aonde. Usar animais vivos em arte é errado porque o animal não tem opção e provavelmente será machucado, física ou psicologicamente, para o benefício de um ser humano que se acha superior a ele ou ela. 

Se Victor quer chocar de verdade, ele deveria usar apenas seu próprio corpo como instrumento. Galinha choca apenas por seus filhotes. 

Com informações do Diário do Pará