Uma lei aprovada pelo parlamento francês torna ilegal o uso de animais selvagens em circos. Leões, ursos e tigres serão proibidos em dois anos e ter posse desses animais será ilegal. A nova lei também proibe fazendas de visão e shows com golfinhos. Com a lei, a última fazenda de produção de pele de vison será fechada.
Alguns ativistas reclamam que a lei não vai longe o suficiente porque não cobre touradas e caça mas a atriz e ativista Brigitte Bardot disse que a lei é um passo adiante. Ela também restringe mais a venda de animais domésticos e introduz penalidades maiores em casos de maus tratos, com cinco anos de prisão e uma multa de R$477 mil.
O legislador francês Jean Baptiste Moreau, do mesmo partido que o presidente mauricinho Macron, decretou que produtos vegetarianos não podem ser chamados de 'salsicha' ou outros nomes que, segundo ele, levam o consumidor a ser enganado, porque esperam que o produto tenha carne.
A medida é obviamente um ataque ao mercado de produtos sem crueldade, e demonstra onde exatamente esse partido En Marche! de Macron se situa na França: no mesmo palanque que os fazendeiros do agronegócio que vivem do sangue alheio.
Não se iluda com esse Collor de Melo francês fazendo discurso nos EUA sobre meio ambiente: ele é um neo-liberal que faz política para os grupos econômicos.
Ser vegano é se deparar constantemente com a esquizofrenia moral das pessoas. A França é uma país que consome muita carne e outras torturas como o foie gras. Em relação à outros países da Europa, o veganismo caminha a passos mais lentos naquela terra.
Mas aparentemente os franceses não 'tem idéia' do que se passa em matadouros.
Eu tenho: violência, horror e morte. Essa é a regra, não a exceção. Por isso eu sou vegano.
Eu me refiro a um vídeo que recentemente chocou aquele país. Um funcionário de um matadouro, cansado de ver fetos de bezerros sendo arrancados das mães sendo abatidas e jogados em latas de lixo, resolveu filmar o que via no matadouro em Limoges na parte central do país. O vídeo foi então publicado pelo grupo L214 e viralizou.
É realmente um horror, uma degeneração total, uma falta de respeito com a vida que faz a gente pensar como a humanidade chegou a esse nível tão sórdido de crueldade. Mas, repito, essa é a rotina de um matadouro e não a exceção. Enquanto enxergarmos os animais como propriedades humanas cujos corpos são mercadorias a serem usadas, isso vai continuar acontecendo.
Ao que parece, o vídeo se tornou notícia de capas de jornais. O interessante é que a iniciativa partiu de um funcionário legítimo do matadouro e não de um ativista infiltrado.
A tática do choque funciona para muita gente. Funcionou para mim. Espero que esse vídeo tenha adicionado alguns veganos a mais à população francesa.
Assista o vídeo (AVISO: Contem imagens fortes e perturbadoras)
Eu devo confessar que esse ataque terrorista me deixou com muita raiva. Talvez o fato de o ataque ser naqueles que são algumas das figuras mais simpáticas e excêntricas do nosso imaginário liberal, o cartunista, tenha pesado com força no meu coração.
Agora, através da página do Capitão Paul Watson, eu descobri que os cartunistas John (Cabo) Cabul , Stephanie (Cara) Charbonnier, Bernard (Tignous) Verlhac e Georges Wolinski apoiavam campanhas de direitos animais, o que é uma grande perda para o movimento. Ao todo, 12 pessoas morreram.
Um dia antes da tragédia Charlie Hebdo tinha contribuído uma de suas tiras para a organização ativista L214 que faz campanha pelos direitos animais na França.
A publicação satírica é a única francesa que condena touradas, golfinhos em cativeiro e caça. A revista também publica uma tira semanal pelos direitos dos animais.
Que eles descansem em paz. Esses psicopatas islâmicos não vão conseguir derrubar esse valor essencial que é a liberdade de imprensa. Eles podem ter ferido a França, mas não a intimidou.
“O documentário “Bovines, a real vida das vacas” (França/2011) é o que podemos chamar de “reinvenção de gênero”. Sem trilha sonora musical e sem qualquer diálogo, o filme conta uma história cheia de simbolismos e carregada de filosofia e surpresa. Apenas acompanhando o dia a dia de um rebanho, o média-metragem conta, durante 60 minutos, uma história triste e emocionante.” (Leia mais e faça o download do filme)