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18 de nov. de 2014

Sam Simon salva touro gay

Essa estória do touro gay na Irlanda que não foi de encontro às expectativas de seus exploradores parece que, felizmente, vai ter um final feliz (leia até o final para saber :)

Aqui no Brasil o movimento LGBT não se interessou nessa história, talvez por preconceito contra animais, deixando assim de ver as metáforas explícitas no caso, e na conexão entre todas as formas de preconceito.

Mas esse não foi o caso na Inglaterra, onde o TheGayUK montou uma campanha de financiamento da liberadade de Benjy, ou seja, o público inglês percebeu a interdisciplinaridade da situação.

Eles conseguiram arrecadar mais de nove mil libras em menos de uma semana, das quais cinco mil dólares vieram do criador vegano dos Simpsons Sam Simon. Sam está com câncer terminal e distribuindo sua fortuna com causas em que acredita, como as dos animais. 

O dinheiro vai ser usado para levar Benjy para o Hillside Animal Sanctuary em Norwich, e o dinheiro que sobrar será usado em seu sustento no santuário.

De uma certa forma o animal se rebelou da forma mais profunda, que é se recusar a ser usado como uma fonte de mais exploração de sua própria espécie. Segundo as regras da pecuária, homossexualidade é absolutamente indesejável. Esse pensamento afeta todos nós.


Que ele seja muito feliz no santuário.

13 de jun. de 2012

Os animais devem ser incluídos no conceito de direitos

Por incrível que pareça este ano esta muito melhor! #ParadaGay on Twitpic
Este fim de semana estava em São Paulo e por coincidência havia a parada gay, que sinceramente me decepcionou muito em relação ao seu conteúdo. Que oportunidade perdida de educar as massas! Tudo o que acontece é uma sequência de caminhões parados na Av. Paulista, com algumas pessoas em cima de cada e se movendo ao som de uma música que se juntava com a música de outros caminhões para formar uma orquestra cacofônica. Enquanto isso, uma multidão circulava de cima e para baixo aparentemente a esmo. Não havia educação, não havia entretenimento decente ... enfim ... o que havia? Eu não consegui perceber.

Bom, acabei pegando um exemplar de uma revista chamada Simples Assim, dedicada à comunidade LGBT, que traz uma entrevista com Jean Wyllys, que se elegeu a deputado federal depois de participar de uma edição do Big Brother Brasil. Uma parte da entrevista me chamou a atenção. Quando perguntado sobre religião, Jean diz o seguinte:

“Ficou claro para mim que não fazia sentido que a Igreja lutasse contra as injustiças, organizasse politicamente os negros contra o racismo, contra a opressão das mulheres, mas silenciasse em relação à homossexualidade.”

Concordo plenamente. E a mesma crítica pode ser feita a vários movimentos de esquerda que enxergam apenas as explorações entre classes e não aquelas que acontecem dentro de suas próprias casas, que não enxergam que se o ser humano não fizer uma revolução em sua própria alma (e eu uso termo de forma laica aqui) ele não vai mudar o mundo ao seu redor. Aqui agora então eu aplicaria o raciocínio feito por Jean em relação à igreja em relação aos militantes do movimento gay que não são veganos. Eu me inspirei a escrever isso porque Jean disse na mesma entrevista que seu prato favorito é feijoada, uma receita que praticamente simboliza o carnismo brasileiro.

Eu entendo que muita gente do movimento gay ainda não parou para pensar sobre o assunto, não teve a oportunidade de refletir sobre isso. Então aqui está a sua chance: os mecanismos de opressão são muito parecidos: um grupo se sente superior ao outro e por isso se acha no direito de explorá-lo. É claro que os direitos que os animais precisam são muito diferentes do que os gays e qualquer outro grupo humano precisam. Mas uma coisa todos temos em comum: todos sentimos medo, todos queremos viver e ter bem estar. E principalmente, todos devem ter direito a integridade física. Comer animais é usurpar este direito mais básico de um outro ser sensciente.Da mesma maneira como eu abomino que uma pessoa apanhe por sua orientação sexual, eu abomino que um animal seja morto simplesmente por ter nascido com uma forma física diferente da minha. E por aí vai. Foquei mais na analogia gay porque este é o tema da semana.

Convido a todos os ativistas gays a pensarem sobre isso e abraçarem o veganismo para dar consistência ao seu discurso. Imagine ser um ativista gay e ser racista ou misógino ao mesmo tempo? É um paradoxo. Ser um ativista de direitos em geral e comer produtos de origem animal também é, mesmo que você ainda não saiba disso.

Leitura extra: artigo em inglês sobre a parada pelos animais no contexto da parada gay de Los Angeles.

1 de fev. de 2011

O assassinato de David Kato


A morte violenta do ativista gay ugandês David Kato ilustra muito bem que depois dos animais, os homossexuais são os próximos na escala da opressão e ausência de direitos. Em nossa sociedade ainda é altamente aceitável denegrir e desrespeitar pessoas que sentem atração pelo mesmo gênero, seja em conversas no dia a dia, na mídia, nas ruas e na própria família.

Eu sempre digo: cada homossexual assassinado o foi pela pessoa que executou o crime e pela sociedade como um todo. No caso de Kato, as duas instituições mais diretamente ligadas à sua morte são as mesmas que promovem ou endossam a violência contra animais: tradição e religião. Em ambos os casos, as vítimas são massacradas pelo desprezo que a sociedade cultiva contra a diferença.

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