Hoje quando eu ia ao banco me deparei com uma cena alarmente: um cão pequeno e branco, de cinco quilos, muito doce em seu aspecto, estava sentado na calçada tendo espasmos. Ao seu lado havia um caixa de papelão com um vasilha d’agua e uma outra com comida. Em princípio o cãozinho ficou com medo de mim e foi necessário muita paciência e estratégia para ganhar sua confiança. Ele mal conseguia andar e eu resolvi simplesmente permanecer parado e deixar que ele viesse até mim. O que finalmente aconteceu quando ele já não tinha mais energia. Ele reconheceu um espírito solidário e aceitou a ajuda. Felizmente havia uma clínica veterinária de confiança por perto e levei-o no colo até lá. O veterinário imediatamente diagnosticou o problema como sendo cinomose em estado avançado da fase nervosa. “Não há cura e o prognóstico é que o problema se agrave” foi seu parecer. O médico palpitou que o cão havia sido abandonado pelos seus ‘guardiãos’ por causa da doença. Ele realmente não estava maltrapilho, portanto não poderia ter estado na rua por muito tempo. Infelizmente, ele teve que ser eutanizado. Eu sempre defendi a eutanasia em casos de doenças irreversíveis que estejam causando muito sofrimento, tanto no caso de humanos quanto não humanos, mas deparar-se com a situação na prática é um pouco diferente. Mas o olhar do cãozinho não deixava dúvidas: a vida material já tinha deixado ele para trás e ele queria por um fim ao sofrimento. E assim foi feito. A essa altura ele já virou anjo e eu espero ter contribuido para que ele tenha se sentido amado nesses últimos momentos da sua vida. Para o caõzinho branco, segue essa homenagem. Você não vai ser esquecido.
Caso você encontre um animal com sintomas como esse, nunca o leve para a companhia de animais saudáveis, já que a cinomose é altamente infecciosa - não afeta humanos mas podemos carregar o virus. Eu tive que ferver minhas roupas e passar álcool nos braços para evitar contaminar o cão que vive comigo. A vacina polivalente cobre a cinomose mas não é garantia de imunidade.