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4 de jul. de 2021

Lançamento do novo livro de contos

Barack prestigiando
o lançamento

Ontem fiz o lançamento do meu terceiro livro e segundo de contos, EXPERIÊNCIAS VOL. 1, em Vitória no ES, com distanciamento social e todo mundo de máscara. O livro reúne dezessete contos/crônicas/passagens narrativas e foi feito com apoio da secretaria de cultura do governo do Espírito Santo. O livro está sendo vendido por R$20 e, desse valor, R$5 são doados para um abrigo de cães local. Quem tiver interesse, por favor entre em contato pelo email: apasolini@gmail.com.

22 de mai. de 2021

Compaixão pelos animais em Tess dos D'Ubervilles

Natasha Kinski como Tess na adaptação de
Roman Polanski

Recentemente terminei de ler um dos clássicos da literatura inglesa, Tess dos D'Ubervilles, um livro brilhante do romancista e poeta Thomas Hardy, que foi primeiramente serializado em jornais e depois lançado como livro. Na época, ele chocou a sociedade vitoriana com seu retrato compassivo de uma jovem cuja vida é arruinada por um homem mais poderoso e sedutor e que depois é julgada como não sendo pura de acordo com a moral vigente. Em todo o livro, Hardy nos mantem ao lado de Tess e cientes da injustiça que ela sofre.

Em uma cena do livro, quando Tess se esconde de um homem que tenta assediá-la, ela passa a noite escondida no mato e ouve sons que ela não entende, como se fossem passos ou pessoas andando. Por fim, ela consegue dormir até o dia clarear. Ao sair de seu esconderijo, ela consegue entender do que se tratava os ruídos. Ela deu de cara com um grupos de faisões que haviam sido alvo de caçadores e passaram a noite moribundos, não feridos fatalmente mas sangrando muito e agonizando. O chão estava manchado de sangue. Uma cena de carnificina.

Tess se compadece dos animais e se repreende por ter pensado que sua vida era dura - nada se compararia ao sofrimento desses animais. Ela indaga como podem haver pessoas que têm prazer em matar e se obriga a executar a inglória tarefa de acelerar a morte desses animais condenados.

É uma cena forte, construída com maestria por Hardy, que neste livro descreve a natureza da parte oeste da Inglaterra de forma a evocar cheiros e paisagens como em uma pintura. O subtítulo do livro Tess é Uma Mulher Pura e ela era de fato uma mulher pura, vítima da injustiça moralista do período vitoriano (1837-1901) e parte da sua pureza era o respeito e amor pelos animais, como é demonstrado nesta passagem e também, mais brevemente, em outras.


8 de ago. de 2018

Natalie Portman faz ode ao escritor Isaac Bashevis Singer




Esse é provavelmente um dos vídeos mais belos produzidos pela PETA. A atriz Natalie Portman, que recentemente lançou um filme chamado Eating Animals, gravou esse promo com a organização animalista no qual ela usa o legado do escritor judeu Isaac Bashevis Singer, que ganhou o Nobel de Literatura e foi um pioneiro da causa animal nas artes e na cultura.

"Décadas atrás um homem articulou a dor dos animais de forma tão ousada que o mundo moderno não pôde o ignorar. Isaac Bashevis Singer foi um escritor muito a frente do seu tempo. Ele cresceu na mesma parte da Polônia que minha família. Como ela, ele fugiu dos horrores do Holocausto. O que ele testemunhou, fez dele um dos grandes escritores do século XX. Quando ele se tornou vegetariano, ele disse:

'Eu não me tornei vegetariano pela minha saúde. Eu o fiz pela saúde das galinhas.'

Em um dos seus livros, uma personagem diz:

'Nós fazemos com as criaturas de deus o que os nazistas fizeram com nós.'

In 2016, a casa da infância de Isaac se tornou um museu.



'Enquanto nós derramarmos o sangue dos inocentes, não pode haver paz, liberdade, harmonia. Abate e justiça não podem morar juntas."

1 de dez. de 2016

Machado de Assis e vegetarianismo



Machado de Assis, o grande escritor brasileiro, tinha simpatia pelos animais e vegetarianismo.

“A arte disfarça a hediondez da matéria. (…) Deus, ao contrário, é vegetariano. Para mim, a questão do paraíso terrestre explica-se clara e singelamente pelo vegetarismo. Deus criou o homem para os vegetais, e os vegetais para o homem. Comei de tudo, disse-lhe, menos do fruto desta árvore. Ora, essa chamada árvore era simplesmente carne.”
(Ler mais +) ➤

12 de out. de 2016

Lançamento PONTO DE FUGA em São Paulo

Se você está em São Paulo, apareça no lançamento do meu livro de contos Ponto de Fuga que acontece neste sábado, 15.10 entre 13h e 17h no Túnel do Tempo. O bar/brechó vai ter um cardápio indiano vegano no dia e eu estarei vendendo e autografando cópias do livro. Chega mais!

26 de dez. de 2012

Passagem animalista em livro de Anais Nin

Meu refúgio literário neste feriado de Natal foi um livro de Anais Nin lançado em 1964 e chamado Collages. O livro é centrado na figura de Renata e cada capítulo a trama vai para um lugar diferente, como se Renate tivesse magicamente se transformado e se transportado, embora existe um elemento que liga todos os episódios, pelo menos até o ponto do livro que eu li: a pintura. Ontem eu encontrei uma passagem que me chamou a atenção. A autora descreve a protagonista como sendo uma protetora de animais, que durante a infância queria salvar os não-humanos da crueldade humana. Eu traduzi livremente o trecho do livro como descrito abaixo:


Quando ela era criança, Renate sentia que ela havia nascido neste mundo para resgatar todos os animais. Ela se preocupava com a servidão e escravidão dos animais, os burros em moinhos no Egito, o gado sendo transportado em trens, galinhas amarradas juntas pelos pés, coelhos sendo mortos a tiros nas florestas, cães em coleiras, gatinhos deixados a míngua em calçadas. Ele fez várias tentativas de resgatá-los. Ele cortava os barbantes em volta das pernas das galinhas e elas se espalhavam por todo o mercado. Ela abria todas as gaiolas que ela encontrava para que os pássaros pudessem voar para fora. Ela abria os portões dos pastos e deixava o gado sair para passear.”

A personagem de Renate foi inspirada na pintora vienense Renata Druks (foto), amiga íntima de Anais.

1 de jun. de 2011

Niki, A História de Um Cão, de Tibor Déry

Muitas vezes um livro nos encontra. Há pouco tempo eu vasculhava um sebo de livros quando um pequeno ítem, uma edição antiga da editora Penguin, me chamou a atenção. Trata-se de Niki, A História de Um Cão.

O título, claro, foi o que atraiu meu olhar vegano porque eu sei que a literatura e o cinema parecem, em geral, ignorar o vasto universo não-humano que poderia servir de material para muitos autores. Sendo assim, comprei o livro que parecia ser uma exceção. 

No último fim de semana finalmente eu li o livro e tive uma experiência literária da mais fina qualidade. Bem, o livro é de autoria do autor húngaro Tibor Déry, considerado o ‘Thomas Mann da Hungria’. Membro do partido comunista do seu país durante anos, em 1953 ele foi expulso por causa de sua crítica de suas políticas cada vez mais repressivas (essa narrativa soa familiar, certo?). Ele apoiou o governo reformista de Imre Nagy e depois que a União Soviética conseguiu reprimir a revolta de 1956, ele foi posto na cadeia por nove anos. Ele saiu em 1960 graças a intervenção de escritores como Alberto Moravia, Albert Camus, Sartre, E. M. Forster e Rebecca West. 

O livro em questão foi publicado em 1956 e é uma crítica da experiência de repressão sofrida por Tibor. O cão é símbolo e sujeito ao mesmo tempo. Ele é símbolo de sentimento, da lealdade e do amor mais puro que nenhum regime inventado por seres humanos pode calar. Mas ao mesmo tempo a cadela protagonista, Niki, é um sujeito. Tibor usa da tradição do realismo psicológico europeu de uma maneira tão proficiente e elegante que eu fiquei com a impressão que eu conheci essa cadela e brinquei com ela nas margens do Danúbio. 

Niki entra na vida de um casal de meia idade, os Ancsas, quando eles estão vivendo em um subúrbio rural de Budapeste, esperando pelo seu apartamento na cidade. O Sr. Ancsa é um engenheiro de minas, um homem afetuoso e sensível cujo filho morreu na Segunda Guerra. O casal vive, assim, em um estado de amargura permanente, embora resignados. 

Niki injeta alegria e vitalidade em suas vidas; seus movimentos e sentimentos são descritos minuciosamente. O universo canino é capturado em palavras tão precisas que o leitor somente pode concluir que Tibor era um admirador profundo dos cães. De fato, de todos os animais, já que ele faz referência a vários, embora esse livro não se trata de um documento que poderia ser reclamado pela teoria dos direitos animais, como os livros de outro autor judeu, Isaac Bashevis, podem ser. Existe inclusive referência ao consumo de carne de galinhas, mas nota-se nas entrelinhas uma certa ironia e espírito crítico nessas referências ao carnismo. 

Eu não conheço a fundo a biografia íntima de Tibor para dar mais detalhes sobre o que ele realmente sentia em relação a exploração de animais como comida. O casal finalmente muda-se para Budapeste, o que foi um choque para Nikia, cuja alma era ‘anti-urbana’. Mas ela se adapta na medida do possível. O Sr. Ancsa perde o emprego e passa mais tempo com ela; consegue um outro emprego inferior e volta a ficar ocupado e finalmente desaparece. A Sra. Ancsa se desespera e passar a viver em um estado ansioso sem conseguir informação sobre seu marido que ele tanto ama. 

Esposa e cachorra passam a existir em uma espécie de vácuo. O retrato da Sra. Ancsa é também uma obra prima; uma mulher extremante ponderada, justa, vivendo uma situação sem sentido e até perigosa mas mantendo sua fidelidade à sua cadela adotada. Apesar dos esforços de sua guardiã, Niki aos poucos sucumbe ao peso da tristeza imposta por um sistema onde o indivíduo não importa; onde o afeto é visto como fraqueza ou um traço burguês. A estória fica triste mas cada vez mais rica em poesia e percepções da natureza humana e canina. A prosa de Tibor flui como uma peça orquestral bem executada; o ritmo e as palavras evocam a geografia e psicologia de uma maneira simples, elegante e muito precisa. Assim como em uma orquestra, a vida interior de Niki vai tomando precisões maiores, em um verdadeiro crescendo.

Niki é a heroína da história, o antídoto da falta de moral e emoção do universo humano que a cerca, um canal de sentimentos e esperança. Mas por fim nem ela é imune a banalidade da tirania, que em seu totalitarismo, atinge homem, animal e natureza. Niki é, realmente, inesquecível. 

Nota: felizmente esse livro se encontra em português e por um preço bom no Estante Virtual. Eu recomendo a leitura tanto pelo tema quanto pelo simples prazer estético de ler um livro de um dos grandes estilistas literários do século XX.