Um artigo de Hélio Schwartzman questiona um projeto de lei de Feliciano que proíbe o uso de animais por escolas de medicina. Primeiro, que isso ainda seja um debate é um absurdo porque é perfeitamente possível não usar animais e instigar nos estudantes o desrespeito pela vida, falto que Schwartzman ignora.
Ele menciona cifras como se fossem altas. Mas seriam alguns milhões de rais realmente muito dinheiro para essas universidades absurdamente caras no Brasil ou para o governo brasileiro com seus bilhões para a educação e outros muitos bilhões perdidos no ralo da corrupção? Com certeza não.
Por fim, ele diz, absurdamente, que se os animais não forem usados em testes serão comidos e mortos em matadouros. Há duas falhas neste raciocínio. Primeiro, os animais usados em testes são criados especificamente para isso, então eles não nasceriam para um outro destino. Segundo, ele coloca como inevitável que a vida de um animal seja apenas de exploração e tortura. Seria que diríamos o mesmo para crianças exploradas na Índia em fábricas de roupas. “Sorria, porque é melhor trabalhar como escravo do que morrer de fome.”?
As instituições de educação tem a obrigação de reparar essa barbaridade herdada, custe o que custar. Existe dinheiro e tecnologia para isso.
Em tempo: não suporto Feliciano como qualquer pessoa de bom senso. Estou apenas usando o artigo como plataforma de debate.
Organizações de defesa animal vieram a público condenar o artista plástico britânico Damien Hirst por ter matado nove mil borboletas durante uma mega exibição solo na Tate Modern em Londres, que encerrou há pouco tempo, segundo informações do Daily Telegraph.
Um dos outros trabalhos, chamados In and Out of Love sacrificou ao todo mais de nove mil borboletas durante as 23 semanas da exibição. Toda semana 400 novas borboletas vivam substituiam as que haviam morrido, algumas por terem sido pisoteadas, outras por terem pousado na roupa dos visitantes e empurradas por eles.
Um representante da RSPCA disse: “Nesta chamada exibição de arte, as borboletas foram obrigadas a existir no ambiente artificial de um quarto fechado por toda a suas vidas. Seria um escândalo nacional se os animais envolvidos fossem, por exemplo, cães. Não é porque se trata de borboletas que elas não merecem ser tratadas com gentileza.
As borboletas usadas eram da espécie coruja e heliconius, que vêm de regiões tropicais e vivem até nove meses em seu habitat natural. As que foram usadas na exibição viveram algumas horas ou, no máximo, alguns dias.
Martin Warren, da Butterfly Conservation, disse: É muito triste ouvir falar da morte de tantas borboletas. Nossa organização se preocupa que esse tipo de abordagem que trata um ser vivo como algo descartável estimule falta de respeito pela natureza.”
A Tate Modern se defendeu dizendo que as borboletas vieram de um criador respeitável e que elas viveram seu ciclo de vida possível dentro daquele tipo de ambiente.
Quando instituições de arte se mantem ao lado de artistas que causam dano físico a outros simplesmente para chamar a atenção, elas se comportam como o Vaticano que se mantém ao lado de padres pedófilos, simplesmente para não admitir erro. A questão aqui não é censura à arte, muito pelo contrário. O discurso livre é fundamental para a democracia, mas ele não pode incluir o direito de matar e ferir. Trata-se de uma questão de ética.
Este fim de semana estava em São Paulo e por coincidência havia a parada gay, que sinceramente me decepcionou muito em relação ao seu conteúdo. Que oportunidade perdida de educar as massas! Tudo o que acontece é uma sequência de caminhões parados na Av. Paulista, com algumas pessoas em cima de cada e se movendo ao som de uma música que se juntava com a música de outros caminhões para formar uma orquestra cacofônica. Enquanto isso, uma multidão circulava de cima e para baixo aparentemente a esmo. Não havia educação, não havia entretenimento decente ... enfim ... o que havia? Eu não consegui perceber.
Bom, acabei pegando um exemplar de uma revista chamada Simples Assim, dedicada à comunidade LGBT, que traz uma entrevista com Jean Wyllys, que se elegeu a deputado federal depois de participar de uma edição do Big Brother Brasil. Uma parte da entrevista me chamou a atenção. Quando perguntado sobre religião, Jean diz o seguinte:
“Ficou claro para mim que não fazia sentido que a Igreja lutasse contra as injustiças, organizasse politicamente os negros contra o racismo, contra a opressão das mulheres, mas silenciasse em relação à homossexualidade.”
Concordo plenamente. E a mesma crítica pode ser feita a vários movimentos de esquerda que enxergam apenas as explorações entre classes e não aquelas que acontecem dentro de suas próprias casas, que não enxergam que se o ser humano não fizer uma revolução em sua própria alma (e eu uso termo de forma laica aqui) ele não vai mudar o mundo ao seu redor. Aqui agora então eu aplicaria o raciocínio feito por Jean em relação à igreja em relação aos militantes do movimento gay que não são veganos. Eu me inspirei a escrever isso porque Jean disse na mesma entrevista que seu prato favorito é feijoada, uma receita que praticamente simboliza o carnismo brasileiro.
Eu entendo que muita gente do movimento gay ainda não parou para pensar sobre o assunto, não teve a oportunidade de refletir sobre isso. Então aqui está a sua chance: os mecanismos de opressão são muito parecidos: um grupo se sente superior ao outro e por isso se acha no direito de explorá-lo. É claro que os direitos que os animais precisam são muito diferentes do que os gays e qualquer outro grupo humano precisam. Mas uma coisa todos temos em comum: todos sentimos medo, todos queremos viver e ter bem estar. E principalmente, todos devem ter direito a integridade física. Comer animais é usurpar este direito mais básico de um outro ser sensciente.Da mesma maneira como eu abomino que uma pessoa apanhe por sua orientação sexual, eu abomino que um animal seja morto simplesmente por ter nascido com uma forma física diferente da minha. E por aí vai. Foquei mais na analogia gay porque este é o tema da semana.
Convido a todos os ativistas gays a pensarem sobre isso e abraçarem o veganismo para dar consistência ao seu discurso. Imagine ser um ativista gay e ser racista ou misógino ao mesmo tempo? É um paradoxo. Ser um ativista de direitos em geral e comer produtos de origem animal também é, mesmo que você ainda não saiba disso.
Leitura extra: artigo em inglês sobre a parada pelos animais no contexto da parada gay de Los Angeles.
Eu às vezes fico imaginando que tipo de pessoa acha que os animais são seres inferiores que merecem menos consideração. Eu ontem tive um exemplo claro de como os não humanos tem uma noção de moral que pode até bater a de alguns humanos, que não tem nenhuma.
Eu no momento estou tentando resolver um problema em uma pequena favela na região da cidade onde moro. Trata-se de um beco onde vive uma cadela muito inteligente chamada Estrelinha. Estrelinha vive em uma casa onde a dona é viciada em crack e mantém sua residência em um estado lastimável de sujeira e abandono – prova mais uma vez que no Brasil a pior pobreza não é a material e sim a de educação. A casa é de alvenaria, tem água e luz. Se fosse limpa, seria um lugar perfeitamente digno onde se viver. Além da dona da casa, existem dois adolescentes que vivem no lugar. Um menino calado de 12 anos e uma adolescente indiferente de cerca de 16 anos.
Pois bem. Estrelinha dois meses atrás deu cria e foi por isso que entrei na história. Fiquei sabendo do caso e resolvi bancar uma castração para ela. Mas agora existem oito filhotes que precisam ser encaminhados para adoção, o que acontecerá neste sábado quando eu os levarei para uma feira de adoção na esperança de encontrar lares para eles. Eles estão crescendo rapidamente, já tem aquele jeito de bicho acuado e é preciso retirá-los desta situação antes que os vizinhos comecem a ficar hostis contra eles.
Mas o motivo desta postagem é um episódio que aconteceu ontem. Eu levo almoço para Estrelinha todos os dias, além de fornecer ração para ela e seus filhos. E ontem não foi diferente. Mas quando eu cheguei lá, os filhotes estavam todos no beco, brincando (normalmente eles estariam dentro de casa). É incrível como eles desenvolvem rapidamente e como eles são inteligentes. Na hora que eu coloquei a marmita de Estrelinha no chão, os filhotes vieram como uma seta em direção a ela. Eu não queria que eles comessem dessa comida porque eles têm a ração apropriada para eles e Estrelinha tem que se alimentar bem para tomar conta dessa pequena matilha. Então eu tirei a caixa de comida do chão e a ergui até Estrelinha. E neste momento uma coisa especial aconteceu. Estrelinha, que sempre tem um apetite feroz, olhou para mim, olhou para a comida e me disse explicitamente: Deixe-os comer. Eu fiz como ela mandou, porque ela estava me dando uma instrução de mãe. Foi incrível porque foi muito claro. Ela controlou seu ímpeto de se alimentar em favor dos filhotes.
Quando eu fui embora, ele me seguiu por um tempo maior do que normalmente, detendo-se quando chegamos até uma rua mais movimentada. Ela olhou para mim, deu meia volta e tomou o rumo de casa para cuidar dos filhos. Como ela não comeu nada, à noite eu voltei para levar um jantar para ela e ela então comeu.
É possível duvidar da incrível capacidade de amor, de ética e responsabilidade dos animais? Claro, nem todas as espécies serão assim, mas generalizar que os animais somente agem por instinto, é dizer bobagem. Vide Estrelinha, a mãe do ano.
O vídeo abaixo mostra dois dos filhotes de Estrelinha para adoção:
Uma imagem me chamou a atenção esta semana. Ela ilustrava um protesto em Brasília feito pelos avicultores locais com apoio da Associação dos Avicultores do Planalto Central e do Sindicato dos Avicultores do DF.
Eles se reuniram em frente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), em Brasília. E distribuíram cerca de 800 pintinhos como protesto pela não transparência nas negociações da fusão entre as empresas Sadia e Perdigão.
A produção de frango é responsável por 60% do total das exportações feitas pelo DF, segundo o sindicato da categoria.
Uma das faixas usadas pelos manifestantes dizia: Chega de escravidão econômica. A ironia, claro, passou desapercebida por eles, mas não pela ótica vegana. Dar animais como protesto é uma ação extremamente insensível e irresponsável. É tratá-los como escravos, sendo que é disso que eles reclamam. Como pode um protesto como esse ter qualquer validade?
As aves correspondem ao grosso da escravidão animal no Brasil: são bilhões delas assassinadas todo ano. Infelizmente com o barateamento de suas vidas, cada vez mais gente consome o cadáver de inocentes, sendo que elas poderiam perfeitamente ter um dieta saudável a base de plantas.
Esses manifestantes, claro, se acham no direito de explorar animais. Assim como a Sadia e a Perdigão se acham no direito de explorá-los. Essas empresas simplesmente seguem a risca a ideologia da exploração: quem é mais forte e maior, manda e devora o mais fraco. Reclamar disso demonstra uma total falta de percepção.
Um babuíno que ‘roubava’ comida de turistas levou pelo menos 50 tiros até ser assassinado pelas autoridades sul-africanas. A descoberta foi feita através que raios X, segundo esse artigo.
O babuíno virou uma espécie de celebridade e foi filmado pelo canal de TV inglês Channel 4 que geralmente surpreendia as pessoas quando elas saiam do carro.
O interessante do artigo é que ao mesmo tempo em que a inteligência do babuíno é celebrada, ele é apresentado como uma espécie de gangster.
“Fred conseguia "morder como um leão, correr como um guepardo e governar sua gangue como um déspota,” disse o veterinário Mark Evans, que acrescentou que ele afastava quem o atrapalhasse com “intimidação e violência.”
O paradoxo aqui é que geralmente os ativistas de direitos animais são acusados de antropomorfizar os animais, ou seja, atribuir qualidades humanas a eles, como se certas características como medo e ternura fossem exclusividades nossas. Mas quando é conveniente, usa-se realmente dessa estratégia, porém com uma dose de fantasia que não se pode comparar as observações fatuais dos veganos.
Uma pena que Fred tenha tido esse fim. Imagine se fosse essa a solução para os ladrões humanos.
No Brasil um dos motivos que as leis são fracas é que o legislativo, jurídico e o executivo são infestados de criminosos. É simplesmente por isso: para evitar o risco de sofrerem penalidades fortes nas raras vezes em que são pegos, eles criam penas brandas, milhões de possibilidades de ‘recursos’ e assim sendo poucos criminosos realmente perigosos vão parar na cadeia.
Por isso, nossa revolta com o fato que a enfermeira Camila Corrêa não será presa por assassinar Lana deve se transformar em um movimento que preveja leis mais fortes em casos de crueldade contra animais. Como os bandidos que estão no poder em geral estão mais preocupados com roubar a população do que maltratar bichos, talvez tenhamos uma chance boa de passar essa lei porque ela não os afetará diretamente.
Votar com consciência é outro passo importante para criar um pais mais civilizado onde as pessoas não tenham que proferir sentenças de morte para extravasar a frustração que sentem de ver o mal passar impune. Seja muito exigente com o político que receberá seu voto. Se por acaso não encontrar candidatos ideais para um determinado cargo, vote em branco. Não caia nessa de votar no menos pior (tipo, ficar entre Dilma e Serra). Ou é bom ou não é.
Como se não bastasse o número crescente de animais nas ruas do Brasil, a autora da novela das seis da Rede Globo, Lícia Manzo, em uma completa falta de sintonia com o mudança paradigmática que acontece em relação aos animais domésticos, criou uma cena em que a protagonista compra um cachorro em uma pet shop.
A cena foi ao ar sexta (16) e mostrou Ana (Fernanda Vasconcelos) sendo levada a uma pet shop por Rodrigo (Rafael Cardoso) para comprar um cachorro como uma forma de reconquistar a filha, que foi criada por sua irmã enquanto ela ficou em coma durante anos.
A pet shop é apresentada de forma positiva, onde os animais são lindos e bem cuidados. Pior: a compra é feita de impulso, sem muita consideração sobre quem realmente vai cuidar do animal. A cena reforça o status de animais como ‘coisas’. Um retrocesso inacreditável.
A escolha da autora para inserir essa guinada na narrativa foi muito infeliz, principalmente nesta época do ano quando muitas pessoas compram animais de presente e que acabam sendo abandonados depois.
Escreva para a emissora pedindo que a autora crie uma trama para amenizar o estrago que ela fez.
A polícia precisa se inteirar dessa tese de Hannah Arendt. Eu digo isso em resposta ao caso da enfermeira de Formosa em Goiás que violentou de forma tão cruel um cão Yorkshire que ele morreu. E ela o fez em frente de uma criança de três anos. O delegado disse que eles vão investigar o que a levou a fazer isso, mas aí está o problema: eles não vão encontrar nada, e nem precisariam se dar o trabalho.O mal não tem motivações, ele não é praticado por monstros, mas por pessoas normais que perdem a capacidade de empatia e compaixão. Tentar encontrar motivações é uma forma de justificar, e justificar o mal é injusto com a vítima. Essa assassina tem que ser apenas punida, e não ‘compreendida’.
Essa semana uma tragédia aconteceu em Zanesvile, Ohio, Estados Unidos. O dono de um zoológico privado de animais exóticos decidiu se matar (por causa de dívidas) e soltou os animais, entre eles leopardos, tigres de bengala (que estão ameaçados de extinção), macacos e outros. Resultado: a polícia local matou os animais por não saber o que fazer com eles.
Terry Thompson era o psicopata que mantinha esse pequeno campo de concentração de animais, obviamente sob os auspícios da leio que o permitia fazer isso e de uma cultura que acha que o indivíduo humano tem direito a fazer o que quer.
Segundo a PETA, Thompson já havia sido indiciado por crueldade contra animais, por exibi-los ilegalmente e por porte ilegal de armas. A organização disse que o estado de Ohio não possui leis que regulem esse tipo de exploração de animais.
A esperança agora é que essa tragédia coloque pressão no estado para que esse sofrimento acabe e as autoridades confisquem os animais em situações parecidas e os leve para santuários de boa reputação. Não teria sido necessário que dezenas de animais pagassem com a sua vida para que isso aconteça. Mas que a morte deles não seja em vão.
Que eles descansem em paz, finalmente livres da tirania humana.
Ontem em A Gazeta, o jornal de maior circulação do Espírito Santo, uma nutricionista chamada Letícia Matrak foi citada dando sua opinião sobre carne em uma matéria sobre 'flexitarianismo'.
Ela disse: “Os produtos de origem animal são importantes, porque fornecem proteínas, vitaminas do complexo B e aminoácidos essenciais, que são fundamentais para a imunidade”.
Obviamente, Letícia deu uma opinião que ela travestiu de fato científico. A opinião da nutricionista reflete a ideologia que vende a carne como um produto essencial e que se tornou ubíqua durante o século XX.
A America Dietetic Association, a maior autoridade do mundo sobre nutrição, tem em seu website uma secção específica sobre a nutrição vegana, que exclui qualquer produto de origem animal, e sua opinião é de que ela é adequada para qualquer pessoa em quase fase de sua vida.
Não esqueçamos também que a carne é a maior causa do desmatamento no Brasil, portanto não comer carne é o gesto verde mais significante de nossas vidas.
Mas o principal benefício de não comer carne, esse produto desnecessário cujo consumo excessivo está por trás de epidemias modernas como a obesidade e diabete, é que os animais são poupados de uma vida de escravidão que termina em assassinato em um matadouro. É por eles que devemos escolher uma dieta vegana.
Escrevam para a jornalista Lorena Fafá alertando que Letícia Matrak emitiu uma opinião e não um fato científico. O seu email é: lcarvalho@redegazeta.com.br
Segundo o website da Globo, Dilma Roussef sancionou nessa quinta-feira (15) uma lei que confere à cidade de Barretos, no interior paulista, o título de “Capital Nacional do Rodeio”, mais um daqueles projetos de leis inúteis com os quais o nosso vergonhoso legislativo gasta o seu oneroso tempo.
Barreto é sede do principal rodeio no Brasil que acontece por lá há 56 anos. E foi lá que recentemente um peão assassinou um bezerro durante a prova que consiste em aterrorizar um bebê. Logo depois um touro teve uma câimbra que o paralisou.
A verdade é que o terror dos animais é uma condição de sua participação em eventos deste tipo pelo simples fato de que os animais não entendem o que está acontecendo. Qualquer um pode ver isso, não é necessário um laudo técnico. A presidente Dilma, como uma pessoa que segundo relatos da imprensa parece gostar de animais, deve ou pelo menos deveria estar ciente que os rodeios, em seu formato atual, são um espetáculo de barbarismo.
Barreto diz que a sua economia se beneficia desse evento. Que bom para eles. Que eles se continuem a se beneficiar dos rodeios, mas sem animais. Com certeza eles poderiam atrair pessoas que atualmente não os prestigiam por conta desse abuso explícito de seres inocentes.
Existem certas formas de manipulações de animais que parecem tão bizarras que dão a impressão terem partido da mente de algum adolescente cuja produção excessiva de hormônios o deixou descontrolado. Mas não. Elas vêm da mão de adultos oportunistas que não vêem limites na exploração de outros seres senscientes.
Duas notícias me chamaram a atenção recentemente. A primeira, noticiada pelo Jornal de Angola, diz que cientistas coreanos conseguiram “clonar cães geneticamente modificados com propriedades fosforescentes que podem ajudar a curar doenças humanas e dar um passo à frente no avanço das pesquisas médicas.”
Como o fato de um Beagle ser fosforescente pode ajudar na cura de uma doença, não é exatamente explicado no artigo, mas isso é praticamente irrelevante para esses cientistas sem ética. O que eles querem é dinheiro e glória, e não criar um mundo melhor para todos os terráqueos.
Enquanto isso alguém teve uma idéia que deve ter um apelo para o mercado ‘rave’ – peixes fluorescentes. Chamados Glofish, eles tiveram seu gene alterado para que possam produzir uma luz colorida brilhante. Eu imagino que os patéticos que comprarem isso – por que somente um nerd terminal pode apreciar a presença de um aquário dentro de casa – encherão a cara de MDMA e passarão horas olhando para o aquário enquanto o aparelho de som toca uma faixa de trance produzida por algum DJ em Israel.
O portal G1, mostrou a foto em uma seção chamada ‘Bizarro’, mas a categoria mais apropriada seria realmente ‘macabro’.
Ao que consta no último dia 21 em uma região a cerca de 400 km da capital Bishkek no Quirguistão aconteceu uma competição de Kok-boru. Trata-se de um ‘esporte’ no qual os participantes usam o cadáver de um bode como bola e o tentam levar até o gol adversário.
Independente de qualquer diferença cultural, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo sabe que isso é moralmente repugnante. Além do desrespeito com o corpo do animal, obviamente eles tiveram que matá-lo para poder usar seu corpo.
Eu quero ver os fundamentalistas tradicionalistas defenderem essa.
“Já que eles colocam fotos de gente agonizando nos pacotes de cigarro, por que que não põem fotos de gente obesa em cada pacote de batata frita, matadouros em cada bandeja de carne, fotos de animais torturados nos cosméticos, acidentes de trânsito nas bebidas alcoólicas, gente sem teto na conta de água e luz e políticos corruptos nas declarações de impostos?” (Via Rafael Jabah)
O jornalista e ambientalista André Trigueiro recentemente esteve debatendo na rádio CNN sobre abate humanitário.
Logo no início do debate ele disse que ouviu de uma de suas leitoras que o termo ‘abate humanitário’ é um oximoro tão absurdo quanto o termo ‘guerra santa’. Em ambos os casos substantivo e adjetivo sentam desconfortavelmente lado a lado por serem conceitos incompatíveis.
Humanitário alude ao melhor do espírito humano, ou seja, a compaixão e a ética.
Matar jamais pode ser considerado como algo ético, principalmente para satisfazer o prazer de outro ser.
Para crédito de Trigueiro, ele descreveu o abate humanitário como algo horrível. O que me leva à crítica: se é tão horrível, para que defendê-lo ou mesmo considerá-lo como remotamente ético?
Ele cita que alguns médicos dizem que a proteína da carne é necessária. Mas com certeza ele deve saber que esses médicos estão errados.
Por que não apresentar a visão correta de que a carne é uma escolha, e não uma necessidade? Essa é a posição oficial da American Dietetic Association. Além disso, os milhões de vegetarianos no mundo que vivem sem carne são provas vivas deste fato simples.
Eu não sei se Trigueiro é vegano (eu espero que sim, já que ele é ambientalista), mas ele perdeu uma oportunidade de apresentar uma verdade em um momento em que ela se fazia necessária.
Essa verdade não é para satisfazer o ego dos veganos que esperam ter seu ponto de vista representado, mas sim pelos 29 milhões de bovinos, 32 milhões de suínos e cinco bilhões de frangos que foram assassinados no Brasil em 2010, segundo dados apresentados durante o programa pelo próprio jornalista.
Será que tanto sofrimento não merece mais indignação da parte daqueles que já tem essa consciência?
O programa encerrou concluindo que a humanidade não está preparada para parar de comer carne. Mas o que isso quer dizer exatamente? A humanidade nunca está preparada para nada: ela tem que ser preparada para qualquer mudança. Mas isso não vai acontecer se nos determos em falsas medidas de proteção animal adotadas como anestesia moral.
Ao invés de perdermos tempo com abate humanitário, vamos conversar sobre veganismo e educar as massas sobre o tema. Isso sim vai fazer uma diferença para os animais e o planeta.
É incrível o que algumas lágrimas derramadas podem fazer. Na semana passada vários meios de comunicação noticiaram que um carroceiro chorou quando a égua que puxava sua carroça teve que ser eutanasiada após ser ferida durante um acidente automobilístico em uma rodovia na região do município de Serrana, a 313km de São Paulo. A foto de Christiano Verola com a cabeça da égua de 13 anos em seu colo comoveu. Seu pai também sofreu ferimentos durante o incidente.
Por debaixo de uma história aparentemente comovente e de ternura o que a mídia convenientemente esqueceu-se de sublinhar, animada como sempre com a possibilidade de vender uma narrativa com drama, é o absurdo da situação. Como podemos ter animais de tração em pleno século XXI, ainda mais na beira de uma rodovia?
A morte da égua virou um mero detalhe no drama. O choro de Christiano tornou-se o protagonista. Mas essa não é a história aqui e sim a pobreza e a exploração de animais. Eu não duvido da sinceridade das lágrimas de Christiano, mas isso não o livra da responsabilidade que ele tinha de zelar pela segurança do animal e da nossa sociedade de criar empregos reais para as pessoas.
O desdobramento dessa estória é que a prefeitura da cidade está aceitando doações em dinheiro para comprar um novo animal para Christiano. Ou seja, ao invés de ajudar a prefeitura vai perpetuar o ciclo de exploração. O que as autoridades e a comunidade local deveriam fazer é conseguir um trabalho para esse rapaz. Não é possível que eles considerem uma carroça uma fonte digna de trabalho.
Vamos acabar com esse ciclo de exploração, caso por caso. As matérias enfatizam como Christiano gosta de cavalos. Mas gostar de um animal não significa ter que possuir um. Os eqüinos merecem ser aposentados para sempre, eles já trabalharam demais ao longo da história da humanidade.
De vez em quando eu ouço alguém dizer: eu adoraria ser vegano, mas não sou capaz.
Eu digo: é fácil. Lembre-se do motivo pelo qual devemos ser veganos (evitar o sofrimento animal) e a tentação de comer produtos da exploração é neutralizada.
Ser vegano não é ser perfeito muito menos uma fórmula mágica para acabar com o sofrimento no mundo.
Ser vegano é fazer o que é possível para não contribuir para esse ciclo terrível de sofrimento e destruição ambiental.
Vivemos em mundo sobrecarregado de seres humanos mas felizmente sabemos como obter nutrientes de plantas.
Ser vegano é respeitar os animais como seres vivos. É ser contra a escravidão. É ser pragmático.
Não tenha inveja dos veganos como criaturas especiais. Não somos. Fazemos apenas o que é moralmente recomendável: fazer para um futuro mais justo e sustentável.
A exportação de animais vivos esta semana está imprensa, e não por motivos muito salutares. Uma investigação na Austrália, exibida em cadeia nacional na segunda feira à noite, mostrou a tortura de gado exportado daquele país para a Indonésia, onde existe um mercado islâmico de consumo de carne. De fato, 60% do mercado de exportação de gado australiano vai para aquele país. Em resposta à indignação demonstrada pela população, as exportações foram temporariamente suspensas.
Enquanto isso em Santa Catarina o governo estadual celebrou um acordo firmado em Roma pelo secretário de estado da agricultura e pesca, João Rodrigues, com União de Importadores e Exportadores de Carnes e Derivados da Itália (Uniceb) para exportação de terneiros vivos de Santa Catarina para Turquia.
Um Centro de Concentração Animal e Adaptação de Bovinos para Exportação já foi autorizado e em julho quatro mil animais serão despachados para a longa viagem até a Turquia, onde eles serão mortos pelo método islâmico de abate, pelo qual o animal não é atordoado antes de morrer.
Rodrigues disse que a exportação de animais expandirá a pecuária no estado e que até o fim do ano que vem cerca de 20 mil animais terão sido enviados de navio para a Turquia.
Retrocesso
Ainda em meio ao debate do Código Florestal, que corre um sério risco de ser estraçalhado por um novo texto feito para servir os interesses do agronegócio, é realmente espantoso que o governo de Santa Catarina queira abrir ainda mais espaço para a agricultura animal para servir mercados estrangeiros.
É realmente muito distorcida essa visão de progresso dos nossos governantes. A agropecuária é a maior fonte de emissões de carbono e eles insistem em expandi-la. Agora para acrescentar um toque de sadismo ao processo, eles querem despachar cada vez mais animais para o outro lado do mundo, em um processo extremamente traumático para os bois e oneroso ambientalmente, criando ainda mais trânsito marítimo ao redor do mundo.
Como ativistas dos direitos dos animais e ambientalistas, nós repudiamos esse tipo de política pública que aumenta o sofrimento de animais não-humanos e coloca em risco a capacidade do país de cumprir os objetivos do Protocolo de Kyoto. O Brasil precisa brecar a expansão da pecuária e a população deve cobrar isso dos governantes.