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23 de nov. de 2024

Manufaturando consentimento para a exploração animal

Muita gente deve ter ouvido falar do famoso livro do linguista Noam Chomsky em que ele fala como a mídia 'manufatura consentimento' para as atrocidades do império através de um discurso controlado que aos poucos normaliza a barbárie.

No Brasil nós podemos ver isso em ação o tempo todo, como por exemplo, a normalização de Bolsonaro, que apesar da repelência absoluta, foi feito palatável por uma economia midiática que aos poucos faz que uma figura absolutamente esdrúxula se torne aceitável e até elegível (felizmente não mais, e em breve, preso).

Eu acho que esse conceito pode ser extrapolado para o consentimento da população com as atrocidades cometidas contra os animais e que são naturalizadas através de estratégias diversas como a inferiorização dos animais, a negação do seu sofrimento e de uma constante reforço do mito antropocêntrico da superioridade humana. 

A verdade é que na cultura nada é natural, tudo é aprendido e constantemente reforçado. Quando uma pessoa diz que ela não vive sem carne, essa fala não parte dela; essa fala foi implantada nela e ela apenas reproduz. Quando uma pessoa diz que é contra o sofrimento animal mas o aceita como um preço (não pago por dita pessoa) para se ter carne, ovo ou queijo no prato, ela está repetindo um discurso com o qual ela foi condicionada a aceitar e reproduzir, de forma automática, como o padrão e, de certa forma, inevitável.

Tudo isso obviamente não é desculpa para o comportamento de cada pessoa, que tem mecanismos de rompimento desses padrões. Eu acredito que tudo é escolha, porque todos nós somos expostos às mesmas engenharias de consentimento e nem todos somos afetados por ela. O indivíduo sempre é responsável por suas ações.

O que é útil em entender esse mecanismo que Chomsky fala é que ele nos dá uma clareza sobre aquilo que estamos lidando e uma possibilidade de manufaturarmos um outro mundo com outros discursos onde o respeito à vida e à integridade dos animais não-humanos têm valor absoluto e intrínseco.


13 de mar. de 2016

Globo incentiva carnismo e violência contra animais

Dois exemplos recentes mostram como os patrocinadores da Rede Globo tem poder sobre sua programação.

O primeiro caso é o do programa Malhação, que recentemente estimulou billying contra uma personagem vegetariana e a convencem a comer carne porque é 'preconceito' não comer carne sem nunca ter provado. O texto é tão obviamente encomendado que basta assistir para constatar.  Não se iludam: por trás disso existe um projeto ideológico a serviço do agronegócio.




O outro exemplo global vem do pseudo-garoto natureza, Rodrigo Hilbert, um ator medíocre que agora está exilado naquela esquina mais escrota da televisão: os programas de culinária que na verdade não são de culinária, mas sim comerciais para uma indústria de exploração animal.




4 de jun. de 2014

Melanie Joy no Brasil


Começa hoje a turnê da psicóloga vegana que criou mais uma frente conceitual para o veganismo: o carnismo. O carnismo é a descrição do consumo de carne como algo culturalmente construído por isso pode ser desconstruído também.

13 de mar. de 2014

Nutricionista da Friboi pede desculpa, mas o estrago foi feito

Entre outubro e novembro de 2013, a Friboi veiculou comercial televisivo em que uma nutricionista afirma que "carne é essencial". A Sociedade Vegetariana Brasileira então acionou o Conar (Conselho de Autorregulação Publicitária), alegando que o comercial seria "enganoso". A SVB acionou ainda o Conselho Regional de Nutrição.Segundo a Sociedade Vegetariana, "inúmeras publicações acadêmicas e e pareceres de instituições como a American Dietetic Association, carne não é ´essencial ´. O que é essencial é proteína, mas esta pode ser obtida (em quantidade adequada) de diversas fontes de origem vegetal". (Ler mais)

27 de nov. de 2012

Vista-se lança hotsite para divulgação do documentário “A Carne É Fraca”

PRESS RELEASE

Um novo hotsite produzido pelo ViSta-se é mais uma das formas de divulgar o importante documentário “A Carne É Fraca”. O documentário, produzido em 2004 pelo Instituto Nina Rosa, é o mais famoso filme do gênero já produzido no Brasil e influencia novos vegetarianos até hoje.

Com autorização do Instituto Nina Rosa, foi ao ar nesta segunda-feira o hotsite www.CarneFraca.com.br.

No endereço, é possível assistir, baixar com link direto e compartilhar o documentário. Por favor, ajude a divulgar.

24 de set. de 2012

Por quê ser vegano se a natureza é predatória?

Esse é provavelmente um dos argumentos mais usados para atacar o veganismo: se bicho come bicho, porque nós não podemos fazer o mesmo?

One Green Planet tem um artigo que desconstrói bem este argumento. Vou resumir aqui seus principais pontos argumentativos:

• Em relação a laticínios, nós somos os únicos animais que consomem leite materno depois da fase de desmamamento, e que consome o leite de outras espécies.
• Em relação ao consumo de carne, vale notar que a maioria dos animais que vive em terra são na verdade herbívoros, com um número relativamente pequeno de carnívoros para os predar. Sendo assim, carnivorismo é a exceção e não a regra.
• A porcentagem de animais não-carnívoros que morrem sendo comidos vivos é relativamente pequena. A maioria vive seus ciclos naturais de vida, ao contrário de programas de TV que glorificam as cenas ‘matando para comer’ que são populares entre humanos carnistas.
• Os animais que são desenhados para comer a carne de outros animais são muito diferentes de nós fisiologicamente em termos de dentição, estrutura mandibular, estrutura e comprimento do intestino, paladar, enzimas digestivas e acidez gástrica. Nós somos o único animal com uma fisiologia decididamente não carnívora que consome carne animal, e não apenas em quantidades pequenas, mas no caso de culturais industrializadas ricas, vorazmente.
• Nosso apetite por carne, laticínios e ovos está destruíndo o habitat de outras espécies em uma velocidade não-sustentável. Nós estamos destruindo um alqueire de floresta amazônica a cada segundo. Nós estamos perdendo 200 mil espécies por ano.
• 10 mil anos atrás os humanos eram um por cento da biomassa (em peso físico) e os outros animais, que eram todos livres, já que não havia escravidão animal, tinham os outros 99 por cento. Agora, apenas 10 mil anos depois, nós ocupamos 98% da biomassa animal e os animais livres foram reduzidos a apenas 2%. Nós roubamos terra e habitat deles.

Eu acrescento ainda que independente de um passado romantizado por apologistas do carnismo, o fato é que hoje existem sete bilhões de pessoas no mundo e nós conhecemos o suficiente sobre nutrição para extrair nossa nutrição apenas de plantas.

Além disso, os animais carnívoros não têm outra opção e os humanos, salvo algumas exceções de pessoas vivendo em regiões remotas e extremas do planeta, temos.

O que nos faz humanos e civilizados é exatamente a capacidade de fazer julgamentos morais e mostrar compaixão.

Por trás da narrativa pró-carnista, existe ideologia e não ciência.

10 de set. de 2012

Reportagem mostra condições de trabalho degradantes nos principais frigoríficos do país

A organização não governamental Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto, divulgou nesta segunda-feira (10) reportagem multimídia na qual mostra que os três principais frigoríficos do país --Brasil Foods, JBS e Marfrig-- submetem seus trabalhadores a condições degradantes. (Reportagem mostra condições de trabalho degradantes nos principais frigoríficos do país)

13 de jun. de 2012

Os animais devem ser incluídos no conceito de direitos

Por incrível que pareça este ano esta muito melhor! #ParadaGay on Twitpic
Este fim de semana estava em São Paulo e por coincidência havia a parada gay, que sinceramente me decepcionou muito em relação ao seu conteúdo. Que oportunidade perdida de educar as massas! Tudo o que acontece é uma sequência de caminhões parados na Av. Paulista, com algumas pessoas em cima de cada e se movendo ao som de uma música que se juntava com a música de outros caminhões para formar uma orquestra cacofônica. Enquanto isso, uma multidão circulava de cima e para baixo aparentemente a esmo. Não havia educação, não havia entretenimento decente ... enfim ... o que havia? Eu não consegui perceber.

Bom, acabei pegando um exemplar de uma revista chamada Simples Assim, dedicada à comunidade LGBT, que traz uma entrevista com Jean Wyllys, que se elegeu a deputado federal depois de participar de uma edição do Big Brother Brasil. Uma parte da entrevista me chamou a atenção. Quando perguntado sobre religião, Jean diz o seguinte:

“Ficou claro para mim que não fazia sentido que a Igreja lutasse contra as injustiças, organizasse politicamente os negros contra o racismo, contra a opressão das mulheres, mas silenciasse em relação à homossexualidade.”

Concordo plenamente. E a mesma crítica pode ser feita a vários movimentos de esquerda que enxergam apenas as explorações entre classes e não aquelas que acontecem dentro de suas próprias casas, que não enxergam que se o ser humano não fizer uma revolução em sua própria alma (e eu uso termo de forma laica aqui) ele não vai mudar o mundo ao seu redor. Aqui agora então eu aplicaria o raciocínio feito por Jean em relação à igreja em relação aos militantes do movimento gay que não são veganos. Eu me inspirei a escrever isso porque Jean disse na mesma entrevista que seu prato favorito é feijoada, uma receita que praticamente simboliza o carnismo brasileiro.

Eu entendo que muita gente do movimento gay ainda não parou para pensar sobre o assunto, não teve a oportunidade de refletir sobre isso. Então aqui está a sua chance: os mecanismos de opressão são muito parecidos: um grupo se sente superior ao outro e por isso se acha no direito de explorá-lo. É claro que os direitos que os animais precisam são muito diferentes do que os gays e qualquer outro grupo humano precisam. Mas uma coisa todos temos em comum: todos sentimos medo, todos queremos viver e ter bem estar. E principalmente, todos devem ter direito a integridade física. Comer animais é usurpar este direito mais básico de um outro ser sensciente.Da mesma maneira como eu abomino que uma pessoa apanhe por sua orientação sexual, eu abomino que um animal seja morto simplesmente por ter nascido com uma forma física diferente da minha. E por aí vai. Foquei mais na analogia gay porque este é o tema da semana.

Convido a todos os ativistas gays a pensarem sobre isso e abraçarem o veganismo para dar consistência ao seu discurso. Imagine ser um ativista gay e ser racista ou misógino ao mesmo tempo? É um paradoxo. Ser um ativista de direitos em geral e comer produtos de origem animal também é, mesmo que você ainda não saiba disso.

Leitura extra: artigo em inglês sobre a parada pelos animais no contexto da parada gay de Los Angeles.

14 de mar. de 2012

Carne mata, humanos e não humanos

Uma das grandes notícias do universo vegetariano ontem, foi, paradoxalmente, sobre como na carne faz mal para o ser humano (eu pessoalmente prefiro pensar em como as plantas fazem bem para a gente). O fato é que carne faz mal, principalmente para os animais que são torturados por essa indústria psicopata que acha natural transformar seres vivos em mercadorias. O vídeo abaixo foi feito recentmente pela ONG Igualdad Animal que flagrou o tratamento dado aos animais por funcionários de uma granja de porcos. Pode um produto que sai desse inferno fazer bem para uma pessoa?

 

28 de nov. de 2011

Consumo de carne nos faz degradar os animais

Um artigo da revista Psychology Today (Psicologia Hoje em tradução livre) diz que ao consumir carne o ser humano reserva uma consideração moral menor para o animal que está consumindo. Essa conclusão foi tirada por um estudo conduzido por Steven Loughnan da Universidade de Kent na Inglaterra. 

Os participantes do estudo foram oferecidos nozes ou carne e foram indagados sobre a o quanto eles consideravam que as vacas podem sofrer e o qual a consideração moral que eles atribuiriam a elas. Os resultados mostraram que as pessoas designadas para comer carne bovina tinham menos preocupação moral pelas vacas e que elas pensavam que as vacas tinham uma capacidade menor de sofrer. Em outras palavras, para comer carne se cria uma atitude negativa em relação às vacas. 

Existe um paralelo aparente com humanos que indica que quando uma pessoa causa dano à outra pessoa ela tende a degradá-la. No clássico estudo de Milgram sobre obediência, ele relatou que ao se dar contar que tinham dado um choque elétrico em uma pessoa, os participantes procuravam a culpar a pessoa que levou o choque para aliviar o estresse de ter causado dano a alguém. 

A conclusão é de que as pessoas tendem a degradar as outras quando elas as causam mal. Esse é o caso quando se trata de outra pessoa ou uma vaca morta.  

Comentário: Para os ativistas veganos, essa informação é útil porque confirma aquilo que encontramos na prática: a negação do sofrimento animal, que é basicamente o que o discurso do abate humanitário tenta reforçar. Por isso, desconstruir essa falácia e romper esse processo psicológico são estratégias chaves do ativismo.  

6 de nov. de 2010

ONG "vende carne de cachorro” em campanha vegana


Os moradores da cidade de Nottingham, Inglaterra, que terça feira (02) se depararam com o pequeno trailer de comida dizendo vender carne de cachorro levaram um susto.

É que para fazer o cidadão pensar porque ele come alguns animais enquanto ama outros, AnimalAid, uma ONG de direitos animais inglesa, montou um trailer na cidade “vendendo”. produtos feitos do chamado “melhor amigo do homem”. Tudo uma paródia, claro, e uma crítica explícita da onda de carne orgânica que promete que os animais foram “criados eticamente”.

A reação das pessoas variou do choque a surpresa, mas segundo a ONG, aqueles que tiveram a paciência de discutir o tema, perceberam a lógica do raciocínio.

Segundo Andrew Butler, um voluntário da AnimalAid, “a maioria das pessoas come diferentes partes de animais todos os dias, sem pensar muito sobre como foram os últimos momentos daqueles animais”.
Turnê
A experiência em Nottingham foi o lançamento de uma turnê chamada Friend or Food (Amigo ou Comida) que está levando o debate para as ruas de várias cidades durante o mês de novembro, quando se comemora o mês do veganismo.

“Seja orgânico, caipira, alimentado com milho ou alojado nas melhores condições, o final é sempre o mesmo para os animais criados por sua carne. Todos terminam nos matadouros, sozinhos e aterrorizados; todos são pendurados de cabeça para baixo para sangrar até morrer”, disse AnimalAid em uma anúncio para a imprensa sobre a campanha.

Mais fotos da campanha:







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19 de mai. de 2010

“Cão à moda”? Um teste pra você, caro leitor

"Estava eu ontem lendo sobre o astronauta chinês que se orgulhou de consumir carne de cachorro durante missão no espaço e me lembrei de um texto interessante, também publicado ontem, pelo Ari Solomon, do Huffington Post. O título original é A man walks into a restaurant... A short story. Resolvi traduzi-lo e convidar você para uma reflexão grupal - uia!" (Ler mais +)

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18 de mai. de 2010

Comer carne é cultural

Esse texto me chegou por email ontem e acho que ele se encaixa bem com a teoria sobre carnismo da Dra. Melanie Joy, sobre a qual eu já escrevi aqui. O autor desse texto é Luis Felipe Valle e foi publicado anteriormente no website do Instituto Nina Rosa.

Por que as autoridades e a população enfiam a cabeça na areia em relação à tragédia que é a produção de carne? Porque encarar o problema é admitir participação no holocausto animal e na destruição do planeta. Não existe nada mais valioso para as pessoas do que a ilusão de inocência. O problema é que ninguém pode ser inocente quando a informação está disponível a todos. Escolher continuar a consumir carne é ser conivente com a violência e o descaso com o planeta.



Comer carne é cultural

Sujeitar os animais a situações incrivelmente horrorosas usando como justificativas fatores “biológicos”, “evolutivos”, e “nutricionais” é tão válido cientificamente quanto os argumentos que justificaram por séculos (e ainda persistem em alguns lugares) a escravidão dos negros, a perseguição aos judeus, a descriminação das mulheres, a proibição religiosa da doação de órgãos, medula, transfusão de sangue, métodos contraceptivos, etc...

Comer carne é cultural. Dá ao ser humano, que antes era limitado ao branco, europeu, rico (tudo no masculino), a sensação de controlar as outras espécies que compartilham a vida neste planeta. A mesma sensação que sustenta os fanatismos religiosos, a opressão de regimes absolutistas e surtos de histeria coletiva que acabam em manchetes sangrentas e escandalosas no nosso dia-a-dia de banalização moral.

O corpo humano foi desenvolvido para alimentar-se de praticamente tudo que existe no planeta. Isso é adaptação. Significa que se um ser humano precisar matar e alimentar-se de outro para sobreviver, será possível. Possível, não necessário. Em certas culturas isso é cotidiano. Tem sentido próprio e reconhece que a fisiologia humana é muito mais adaptada a dietas vegetarianas (faça a comparação entre as mandíbulas, intestinos, PH estomacal, mãos, faro, glândulas digestoras e hábitos sociais de um leão e de um cavalo).

Comer carne não se limita a comer carne. Seria como concordar com as profecias bíblicas que condenam 90% dos costumes ocidentais e sair por aí matando em nome de Deus, dizendo que não se trata de assassinato, mas de “fé”.

Aliás, deixar de comer carne também é cultural. Em grande parte dos lugares onde não existe o hábito de alimentar-se de animais mortos (ou vivos), existe um surpreendente teor de consciência ecológica e respeito à vida. Em outros lugares, como é o caso do Brasil (o maior exportador de carne de todo o mundo), vai ser difícil alcançar esse nível, mas ele não é necessário, porque a outra parte de não comer carne trata-se mais de inteligência do que de cultura.

Enquanto ficamos por aí debatendo sobre a reforma agrária, as invasões do MST, o latifundiarismo, a miséria, a fome, a subnutrição, a devastação das florestas, as queimadas, a concentração de renda, a capitalização internacional de riquezas e o descaso com o meio ambiente, esquecemos de que o consumo de carne está por trás disso.

A população bovina no Brasil (cerca de 200 milhões) é maior que a população humana (cerca de 190 milhões), isso sem contar as aves, suínos e caprinos “cultivados” para corte. Os cereais usados para alimentar este rebanho colossal seria mais do que suficiente para alimentar a população humana da América Latina. Os pastos usados tanto na criação de gado de corte quanto no cultivo agrícola para alimentá-los seriam mais do que o necessário para garantir que todo brasileiro tivesse um pedaço considerável de terra para morar – ou continuariam a exercer seu vital papel no equilíbrio ambiental do planeta como florestas tropicais.
Da água doce que se encontra disponível para uso do ser humano no planeta (menos de 0,03% da água superficial da Terra), 80% é usada para fins agrícolas. Escovar os dentes com a torneira aberta não é nada, nada mesmo, comparado a comer carne.

Comer carne é cultural. E reflete a cultura de um povo que pensa a curto prazo, usando indiscriminadamente recursos naturais, condenando o futuro e falsificando consciência sustentável, revelando-se completamente egoísta, alheio às necessidades das pessoas ao redor.

A violência é cultural. Animais que se alimentam de carne são violentos, territorialistas, hostis ao convívio próximo de outras espécies. Ou dominam ou são dominados. A sobrevivência dos animais carnívoros depende disso. A sobrevivência do ser humano não!

Como esperar que um povo compreenda o absurdo de condenar milhões de vidas inocentes à dor e sofrimento? É cultural. Soa cármico. Em algum lugar deve estar escrito, sob assinatura de forças divinas, que quem não tem dinheiro (e isso inclui animais humanos e não-humanos) nasceu fadado e condenado à gula mercenária desse estranho animal que mata e deixa morrer por prazer.


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16 de abr. de 2010

Carnismo: um sistema ideológico

Um dos conceitos chaves do movimento de direitos animais é o especismo, ou seja, o mito criado pelos humanos que os faz crer que sua espécie é superior a todas as outras. O termo foi criado pelo filósofo britânico Tom Regan e é amplamente difundido hoje.

Agora a escritora e psicóloga americana Dra. Melanie Joy (foto) propõe um novo termo, que ela chamou de carnismo, como mais um instrumento de análise e desconstrução do sistema ideológico que cria a ilusão de que o hábito de comer carne é o estado natural da dieta humana.

Em seu livro Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows: An Introduction to Carnism (Porque Nós Amamos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas: Uma Introdução ao Carnismo), a doutora Melanie argumenta que o consumo de produtos animais é uma sistema de crença invisível continuamente reforçado por muitas sociedades ocidentais e por isso “carnismo” – a prática quase inconsciente de comer carne – não é parte do vocabulário como o vegetarianismo é. A escolha de comer carne não é rotulada em nossa sociedade, portanto ela passa sem questionamento. Em seu livro, Melanie tenta explicar não porque nós não deveríamos comer carne, mas sim porque nós o fazemos.

“O carnismo nos ensina a não sentir quando se trata de comer os animais que consumimos”, ela diz em seu livro. “Nosso modo natural de responder aos outros animais parece ser baseado em empatia. Sociedades que comem carne em todo o mundo escolhem algumas espécies e consideram repelente a idéia de comer outras. Isso porque o carnismo bloqueia nossa consciência e empatia quando se trata de espécies que consideramos comestíveis.”

Em uma recente entrevista ao blog SuperVegan, a doutora Melanie disse que “carnismo é uma sub-ideologia do especismo, assim como anti-semitismo, por exemplo, é uma subideologia do racismo. É importante nomear e entender ideologias específicas porque embora todas provenham de uma ideologia mais ampla, elas têm algumas características distintas que devem ser entendidas e abordadas diretamente.”

A autora diz que escreveu seu livro para os carnistas “porque ela queria ter um livro que falasse com comedores de carne e não fosse apenas sobre a realidade da produção de carne, sobre o qual já existem muitos títulos". Ela acrescenta que quis convidar os comedores de carne para o debate e explicar para eles porque eles comem carne.

Ela se defende dos críticos que dizem que o termo especista já engloba o que ela chama de carnismo e que a criação de um novo termo seria uma distração desnecessária. “Considere, por exemplo, como o patriarquismo influencia o heterossexismo mas que no entanto o heterossexismo tem características específicas que fazem dele uma expressão única do patriarquismo. Como o consumo de carne causa mais sofrimento animal do que todas as outras formas de exploração animal juntas, faz sentido focar no carnismo como uma ideologia separada do, porém conectada ao, especismo."

A doutora Melanie acrescenta que uma diferença fundamental entre especismo e carnismo é que o carnismo é uma expressão altamente pessoal do especismo. “Incorporar animais não humanos no nosso corpo é, em geral, o contato mais freqüente e íntimo que os humanos têm com outras espécies. Comer animais, portanto, determina como pensamos sobre, e nos relacionamos com, outros seres. Como podemos imaginar qualquer tipo de igualdade entre as espécies se continuarmos a comer animais simplesmente porque gostamos do seu sabor?”

Os argumentos da doutora Melanie formam um sistema convincente para os pensadores do veganismo e ativistas em geral. É importante ver que todas as formas de exploração são facilitadas pelos mesmos mecanismos e um reforça o outro. A mentalidade que coloca o sistema reprodutivo feminino nas mãos do legislativo e que moldou uma “cultura de estupro” onde misóginos como Eminem são celebrados não é tão diferente da mentalidade que legitimiza o confinamento de milhões de suínas onde elas são engravidadas a força ao longo de suas vidas simplesmente para que seus filhos se tornem, por exemplo, a cobertura de uma pizza de pepperoni.

Referências:
Website da doutora Melanie Joy: http://www.melaniejoy.org
Bitch Magazine: http://bitchmagazine.org/post/the-biotic-woman-a-conversation-about-carnism-with-melanie-joy-pt-1
SuperVegan: http://supervegan.com/blog/entry.php?id=1464
Grupo no Facebook:
http://www.facebook.com/group.php?gid=174553683955&ref=share&v=info

Video promocional do livro:





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