Imagino como deve ter sido
confuso e doloroso
ser atacado, ferido, chutado
no escuro da noite
por pessoas nas quais, talvez
você inicialmente confiou.
Orelha, ninguém te ouviu
seus gritos e gemidos
ecoaram pela noite
em vão
os monstros que te atacavam,
excitados com a adrenalina da violência,
nem sem preocuparam com o silêncio
isolados como estavam na praia da tortura
Agora nos resta
tentar fazer
justiça
para você, Orelha
e seus irmãos
vulneráveis à violência
e à injustiça comprada
pelo dinheiro sujo
e violento
das elites brasileiras.
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