3 de jun de 2011

Exportar animais vivos é crueldade e ambientalmente insustentável

A exportação de animais vivos esta semana está imprensa, e não por motivos muito salutares. Uma investigação na Austrália, exibida em cadeia nacional na segunda feira à noite, mostrou a tortura de gado exportado daquele país para a Indonésia, onde existe um mercado islâmico de consumo de carne. De fato, 60% do mercado de exportação de gado australiano vai para aquele país. Em resposta à indignação demonstrada pela população, as exportações foram temporariamente suspensas. 

Enquanto isso em Santa Catarina o governo estadual celebrou um acordo firmado em Roma pelo secretário de estado da agricultura e pesca, João Rodrigues, com União de Importadores e Exportadores de Carnes e Derivados da Itália (Uniceb) para exportação de terneiros vivos de Santa Catarina para Turquia. 

Um Centro de Concentração Animal e Adaptação de Bovinos para Exportação já foi autorizado e em julho quatro mil animais serão despachados para a longa viagem até a Turquia, onde eles serão mortos pelo método islâmico de abate, pelo qual o animal não é atordoado antes de morrer. Rodrigues disse que a exportação de animais expandirá a pecuária no estado e que até o fim do ano que vem cerca de 20 mil animais terão sido enviados de navio para a Turquia.

Retrocesso

Ainda em meio ao debate do Código Florestal, que corre um sério risco de ser estraçalhado por um novo texto feito para servir os interesses do agronegócio, é realmente espantoso que o governo de Santa Catarina queira abrir ainda mais espaço para a agricultura animal para servir mercados estrangeiros.

É realmente muito distorcida essa visão de progresso dos nossos governantes. A agropecuária é a maior fonte de emissões de carbono e eles insistem em expandi-la. Agora para acrescentar um toque de sadismo ao processo, eles querem despachar cada vez mais animais para o outro lado do mundo, em um processo extremamente traumático para os bois e oneroso ambientalmente, criando ainda mais trânsito marítimo ao redor do mundo.

Como ativistas dos direitos dos animais e ambientalistas, nós repudiamos esse tipo de política pública que aumenta o sofrimento de animais não-humanos e coloca em risco a capacidade do país de cumprir os objetivos do Protocolo de Kyoto. O Brasil precisa brecar a expansão da pecuária e a população deve cobrar isso dos governantes.

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