11 de mar de 2010

Vegetarianismo dá seus primeiros passos na Argentina

Em um país com um dos maiores índices de consumo de carne no mundo (70 kg por ano), por tradição e políticas governamentais, o vegetarianismo ainda é uma novidade. Mas aos poucos isso começa a mudar, diz uma reportagem do Global Post.

A crise de 2001 criou uma porta de entrada no país para o vegetarianismo. A manutenção de frigoríficos ficou muito cara e a chegada de estrangeiros com mais consciência de suas dietas transformou a cena gastronômica em algo mais cosmopolita.

Vegetarianos como Agostina Senese, que diz que não comer carne é visto quase como um pecado em seu país, agora encontram apoio nas novas mercearias, mercados e negócios direcionados à nascente comunidade vegetariana de Buenos Aires.

Um desses negócios é o Almacen Casero, onde a proprietária Maria Magdalena vende comida vegetariana e tem entre seus clientes Agostina. “No começo é muito solitário”, Magdalena diz. “Mas você acaba conhecendo mais pessoas e as pessoas ao seu redor se adaptam.”

No entanto, lugares de comida vegetariana como La Esquina de Flores dão certo principalmente em áreas mais nobres como Palermo, onde muitos expatriados gostam de morar e a cozinha vegetariana é mais comum nos restaurantes.

Marcelo Barraza está começando um serviço de entrega de pizza vegetariana congelada. Antes, ele trabalhava para uma empresa de vegetais orgânicos. “Eu me dei conta que havia uma oportunidade de negócios a longo prazo”, ele disse. “Existe demanda”, concorda Fernando Baz, proprietário de Jardin Organico, que vende comida e vegetais orgânicos em Buenos Aires. “Talvez cerca de 60 a 70 por cento dos meus clientes são vegetarianos.” E ele diz que sua empresa está crescendo 20 por cento por ano.

Apesar do potencial do país de produzir vegetais e do fato dele ser o segundo maior exportador mundial de vegetais orgânicos por acre depois da Austrália, criar um mercado doméstico para esses vegetais é uma questão de mudar não apenas a dieta argentina, mas também uma característica fundamental de sua cultura.

De volta ao Almacen Casero, Maria Magdalena ainda não espera ganhar rios de dinheiro. “Eu não sei se existe um grande futuro, mas existe um futuro. A idéia não é ficar rico.”

Mas algo lhe dá essa confiança para seu novo negócio. Em um raio de oito blocos de sua loja, pode-se encontrar mais duas lojas vegetarianas e vários restaurantes com “comida vegetariana” na fachada. “Estamos em Almagro, um bairro de classe média e está começando a ser aceito,” diz Magdalena, bebericando chá de mate enquanto os fregueses casualmente botam a cabeça pela porta. “Nós podemos ver em nossas próprias famílias. Elas já estão reservando mais espaço para vegetais quando elas fazem churrasco. Isso vai crescer. Vai crescer sim.”

Fonte: Global Post

Na foto: Agostina Senese e Maria Magdalena



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