27 de nov de 2016

Bazar Vegano: notas sobre uma fala pública

Ontem participei do Bazar Vegano aqui em Vitória (ES), que reuniu comerciantes veganos da cidade, além de outros empreendedores que fazem produtos sem crueldade. O evento foi um sucesso e o espaço ficou cheio de gente (e alguns gatinhos que estavam para adoção) durante as horas em que o evento aconteceu. 

Eu fui convidado para conduzir uma fala sobre filosofia e movimento veganos, e a maneira como ela transcorreu me inspirou a escrever um post, ressaltando as reações de algumas pessoas e o feedback instantâneo que a comunicação não-virtual engendra.

É potente e frustrante ao mesmo tempo.

A potência vem da energia gerada do encontro no mundo físico. O que é frustrante é que às vezes o raciocínio é interrompido por falas mal intencionadas e 'ofendidas', cuja origem é o especismo latente de quem ouve.

Mas é bom sair da internet e da bolha de auto-repercussão que ela gera. Como ativista vegano, é bom se deparar com o especismo no mundo real e adquirir experiência em como abordá-lo e neutralizá-lo da forma mais eficaz possível.

A partir da fala de ontem, eu cheguei à algumas conclusões:

  • O veganismo incomoda, mesmo quando ele está sendo descrito fatual- e historicamente. O privilégio especista é rapidamente inflamado.
  • É provável que, ao abrir para uma conversa, surgirão falsas perguntas, que na verdade são trolagens desenhadas para desviar a conversa para caminhos sem saída e inúteis. É só ruído.
  • Algumas pessoas criam situações fictícias e abstratas para ilustrar dificuldades e impossibilidades do veganismo.
  • Alguns vão tentar representar o veganismo como autoritário, como se cada vegano estivesse tentando impor o veganismo por decreto.
  • Falsos dilemas provavelmente serão regurgitados também, como um refluxo verbal.  

Da fala de ontem eu aprendi uma coisa: é preciso bater na tecla que veganismo é abolicionismo animal; ele quer a abolição do conceito do animal como propriedade. O que faz uma pessoa entender o veganismo é quando ela entende esse conceito. Para que isso aconteça é preciso criar um sentimento de identificação com os animais, enfatizar as similaridades entre espécies e o fato empírico que todo ser vivo quer viver, evitar dor e sofrimento. Todo ser vivo tem direito à integridade física e viver de acordo com as regras de sua natureza.

Sigamos e aprimoremos nosso discurso. A palavra bem construída é nosso principal instrumento. Não basta falar pelos animais. É preciso falar bem.







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