11 de jul de 2016

Um toureiro morre ... e daí?


Um toureiro morreu neste domingo na Espanha, ou melhor, um touro torturado conseguiu reverter o jogo e matar o seu algoz. Obviamente, neste jogo de covardes, o touro não tem direito a vencer e foi morto depois. Mas pelo menos ele conseguiu vingança e, com seu chifre poderoso, conseguiu esvaziar o peito cheio de arrogância de seu torturador.

O psicopata ou assassino serial que morreu se chamava Victor Barrio e tinha 29 anos.  Sua esposa e pais assistiam. Disseram que ficaram horrorizados. Mas não estavam na arena para assistir a morte de um ser vivo? Ou apenas de alguns seres vivos?

Violência atrai violência. Curiosamente, o público também 'ficou chocado'. Mas não se trata de um ritual erotizado de morte que eles querem ver? Ou na verdade não passa de barbarismo e sadismo contra animais não-humanos?

O fato do público ficar chocado mostra o absurdo que é a existência de touradas no mundo contemporâneo. Em tempos romanos, quando os gladiadores se matavam, o público era honesto: queria sangue, de humanos ou não. E tinham muito sangue. Não tapavam os olhos com medinho e se deleitavam com o espetáculo brutal.

As touradas descendem disso.

Mas no mundo hipócrita de agora, os fetichistas do machismo querem a experiência da violência, mas sempre de forma segura e completamente trapaceira.

Como ontem ficou provado, isso nem sempre é possível.

O fato de um toureiro ser morto não deveria ser notícia. Ele escolheu essa profissão infeliz, em uma país onde a maioria hoje em dia é contra essa covardia.

Victor Barrio era um covarde, um psicopata, que infelizmente deve ter até curtido sua morte. Espero que não. Que por alguns segundos tenha passado diante de seus olhos um filme sobre a existência medíocre e sem sentido que ele escolheu e que chegou ao fim da única forma justa.

Isso é a justiça cósmica em ação.

Postar um comentário