7 de fev de 2013

Mais um artista adicionado à minha lista negra vegana

Michael Haneke
Eu fico aborrecido quando eu descubro que um artista que admiro não tem ética em relação aos animais. Eu me lembro da decepção de descobrir que o cineasta surrealista Luis Bunuel matou e torturou animais para fazer seu documentário Terra Sem Pão (1931), um burro e uma cabra no caso.

Essa semana eu andei elogiando o filme Amour de Michael Haneke quem eu considero um dos grandes nomes do cinema europeu contemporâneo. Os filmes de Haneke sempre navegam pelas águas turvas da psicologia humana, filmes onde a violência é mostrada como ela realmente é, e não como espetáculo.
Em Amour há uma cena com uma pomba que eu havia "perdoado" porque nenhum mal parece ter sido causado a ela, embora fica sempre a pergunta: por que não criar uma narrativa alternativa? Não é a imaginação a ferramenta principal do empresário artístico?

Em filmes anteriores de Haneke havia violência contra animais, mas eu sempre pensei que ela fosse representada, e não literal. Até eu encontrar essa entrevista com o diretor:

“Frustrado em meus esforços para descobrir mais sobre como ele lida com pessoas, mencionei seu histórico letal com animais. Em "Amour", Trintignant captura um pombo. Depois de aparentemente sufocar a ave, ele opta para acariciá-la, num momento lindo de extravasamento emocional. Desconfio que Haneke teria preferido torcer o pescoço da ave, já que ela ignorou sua direção. "Foi horrível! Havia uma trilha de sementes que ela deveria seguir, mas ela seguiu seu próprio caminho pelo apartamento, sempre diferente do que devia." Mas ela sobreviveu, diferentemente dos animais em filmes anteriores de Haneke.

O cão da família é a primeira vítima em "Violência Gratuita", vários cavalos são degolados em "The Time of the Wolf", e "Benny's Video" começa com a matança de um porco, que guincha. O perfeccionismo de Haneke fez com que fosse necessário sacrificar três porcos. É claro que ele tem uma teoria pronta para explicar essa carnificina toda. "É uma hierarquia do poder. Os homens no topo, depois as mulheres, depois as crianças, e os animais no escalão mais baixo. São eles que precisam arcar com o ônus."
Mas qual foi o ônus que esses atores involuntários tiveram que carregar de fato? Perguntei insistentemente a Haneke sobre o aquário em "O Sétimo Continente", derrubado quando a família destrói sua casa, como prelúdio ao suicídio: os peixes tropicais se debatem num mar de vidro espatifado. "Fizemos o possível para proteger os peixes", ele afirma. Não é bem a mesma coisa que a declaração de que "nenhum animal foi machucado", exigida pela RSPCA (a Real Sociedade de Prevenção da Crueldade contra Animais).
"Para ser franco, filmamos essa cena muitas vezes. O estúdio inteiro ficou inundado, e a equipe tentava pegar os peixes e colocá-los em baldes de água cada vez que eu gritava 'corta!'. Ao final, um ou dois deles estavam boiando de barriga para cima. Acho que morreram de choque." Dessa vez ele teve a decência de não rir.”

Foi um choque. Um dos grandes filósofos do cinema mundial exibir tamanha crueza de personalidade? Isso confirma que não devemos nunca colocar ninguém no pedestal e além do princípio ético. O artista, lembremos, é um empresário, e não uma deidade acima do bem e do mal. O seu trabalho não pode ser isento de princípios morais, assim como as igrejas não deveriam ser isentas de impostos e nem os falsos profetas que poluem o mundo atual ficarem livres da cadeia quando eles usam sua plataforma pseudo-religiosa para incitar o ódio contra gays e mulheres.
Postar um comentário