14 de jan de 2013

Crueldade contra animais: o presente, e o passado, nos condenam

Importar-se com o bem estar dos animais é abrir os olhos ao que para muitas pessoas é invisível, seja no presente ou no passado. É perceber no prato de quem come carne o corpo de um animal torturado; é notar o cão magro e triste que tentar sobreviver de forma esquálida; é estar atento ao mundo com uma percepção mais aguçada.

Existe muita crueldade e indiferença, e mesmo em países onde a situação parece um pouco melhor, o passado abriga episódios que assustam pelo sadismo.

A Inglaterra é um desses lugares. Hoje em dia ela poderia ser considerada o berço dos direitos animais, mas talvez isso tenha se dado exatamente pela selvageria que acontecia por lá, o que provocou a reação de humanos mais iluminados.

Por exemplo, um dos passatempos dos ingleses no século XVIII era o que eles chamavam de arremessamento de galos (cock throwing), que foi representado em pintura por William Hogarth. Um galo era amarrado a um poste e as pessoas alternavam jogando varas na ave até ela morrer. Essa prática demoníaca era associada com a chamada Shrove Tuesday, a terça-feira antes da quarta feira de cinzas. Existe uma hipótese que a tortura do galo era uma espécie de malhação de Judas dos franceses, que eram normalmente representados por galos.

Haviam variações de como a tortura era feita, que não vale a pena repetir. Mas a sede de sangue daquela população era tanta que quando oficiais Puritânicos proibiram a atividade ainda em 1660 em Bristol, houve uma rebelião de aprendizes.

A popularidade da atividade foi enfraquecendo a medida que valores sociais e bem estar animal se desenvolveram. Hogarth, por exemplo, a representou como uma atividade bárbara. A partir da metade do século XVIII os magistrados começaram a lidar com o problema de forma mais dura, o que sinalizava uma perda de popularidade entre as classes mais respeitáveis, impondo multa para ofensas contra a ordem pública e com proibições locais em muitos lugares. Na metade do século XIX a tradição cruel havia sido esquecida, sobrevivendo como acidentes isolados até a década de 1840.

Isso demonstra que quando nos confrontamos com o barbarismo, como a Farra do Boi, podemos ter a esperança de que os tempos mudam. A história gira em ciclos, mas eu creio que no caso dos animais a tendência é que ela siga em progressão linear.
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