18 de ago de 2012

Greenwashing na cozinha

A palavra ‘eco’ hoje em dia é usada como uma sinetinha mágica para denotar harmonia com a natureza. Mas é preciso ter cuidado porque o greenwashing, ou seja, o falso marketing verde, está em toda a parte.

Um evento gastronômico que chega ao Rio no dia 22 de agosto e que usa o termo eco como prefixo parece ser um exemplo de greenwashing. Apresentando por um grupo de “ecochefs”, o que quer que isso signifique, ele servirá “pratos típicos de cada uma das cinco regiões que compõem o território brasileiro”. Os pratos incluem pato tucupí, paçoca de carne seca, galinha com pequi, feijão tropeiro e arroz de carreteiro. Ou seja, um festival de carne. Para um evento que se diz ecológico, a ausência de pratos vegetarianos é gritante.

Como sempre, esse movimento neoconservador carnista se disfarça sob a égide da tradição. Mas será que eles realmente pesquisaram a origem e as consequências ambientais de cada prato? Ou acham que simplesmente dizer que se trata de um prato típico de uma região já basta para criar uma pequena fantasia turística para a classe média brasileira que quer se sentir mais 'cool'?

Tradição em geral é algo não desejável – as piores atrocidades cometidas pela humanidade foram e continuam sendo cometidas em nome da tradição. É inerente da cultura humana mudar, evoluir e se aperfeiçoar. O que interessa se o homem da caverna ou o índio brasileiro comiam carne? Absolutamente nada, o que interessaria aprender destes grupos é como eles conseguiram viver sem poluir rios e desmatar, e não como eles matavam animais.

Nota: o post deliberadamente emite os dados do evento para não dar publicidade gratuita a um evento que mata animais.


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