2 de ago de 2012

Freud fala sobre cães

S. Freud: "Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana."
George Sylvester Viereck: Por quê?
S. Freud: "Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais agradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão (acrescentou Freud pensativamente) lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis antigos como Aquiles e Heitor."

[entrevista concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. O texto integral foi publicado no volume Psychoanalysis and the Fut, número especial do "Journal of Psychology", de Nova York, em 1957.]
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