24 de nov de 2011

Lugar de pássaro é no ar

Hoje de manhã quando passeava com Dylan, meu enteado canino, finalmente tive a oportunidade de dizer algo para o dono da padaria que há muito queria dizer. Pendurada do lado de fora de seu comércio existe uma gaiola com um pássaro dentro; eu vejo aquela criaturinha voando bruscamente de um lado para o outro, perplexo e confuso em relação ao seu espaço limitado. Por quê? Por quê? Por quê? 

Aproveitando a deixa de uma conversa com a funcionária da padaria que gosta de cães e começou a interagir com Dylan, eu pedi que ele soltasse o pássaro. “Mesmo que ele viva apenas mais um dia”, eu disse, “mas que viva seu último dia em liberdade”. Ele me olhou um pouco surpreso e confessou que já pensou nisso mas que somente o faria na roça para que o pássaro tenha mais chance de viver. “Melhor ainda”, eu respondi. 

Então o mecanismo de defesa dele começou a atuar. “Apesar de que não tem diferença entre manter um cachorro no quintal e um pássaro na gaiola”, ele disse. Eu imediatamente desconstruí seu argumento e disse que não há como comparar duas espécies tão diferentes. O cão, eu disse, se beneficia da convivência com o ser humano; o pássaro não. O cão morreria atropelado se saísse na rua sozinho; o pássaro não. E o cão é territorialista, gosta de estar em seu espaço. O pássaro gosta de liberdade, de voar e de explorar o mundo.

Eu não sei se ele vai seguir o meu conselho, mas uma semente foi plantada. Quem sabe aquele pequeno ser que neste momento se encontra perplexo dentro de uma gaiola em breve vai poder exercitar a plenitude de sua natureza de pássaro? Que o universo agora conspire a seu favor. 

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