19 de set de 2011

Morte do Pug Santiago: uma tragédia, duas causas


A morte de um cão Pug chamado Santiago depois de voar com a Gol no dia 13 de setembro aponta para dois problemas. O primeiro é da falta de profissionalismo das empresas aéreas quando elas transportam animais. Quem já viajou com um animal sabe como eles são tratados como coisas e como os funcionários são despreparados para lidar com esse tipo de cliente. Tragédias acontecem o tempo todo e no Brasil o Gol parece ser a campeã.


O outro problema aqui é é a criação de animais, que quando comprados de criadores são com freqüência transportados por avião para serem entregues, tal como uma mercadoria, para o comprador.

Ao longo da história da exploração de cães, que foram sendo manipulados geneticamente simplesmente para atender a exigência estética dos humanos, muitas raças surgiram com problemas congênitos.

O Pug é uma delas e se enquadra na categoria de animais braquicéfalos. Seu maxilar superior de tamanho mais curto contribui para problemas respiratórios crônicos. Além disso, eles são suscetíveis a alergias, tendem a roncar e ter problemas de pele. Encefalite também é comum. A lista de possíveis problemas é tão extensa que você se pergunta: como pode alguém querer reproduzir um animal que vem ao mundo para sofrer?

Se os animais domesticados já são vulneráveis por serem dependentes do ser humano, imagine quando eles nascem com tantos problemas de saúde. Sendo esse caso, a GOL e outras empresas deveriam ser muito criteriosas e cuidados ao transportar raças caninas braquicéfalas devido ao risco que elas correm ao serem submetidas a uma experiência tão estressante quando voar. Na verdade, a GOL e suas concorrentes deveriam parar de aceitar criadores como clientes. Talvez essa fosse uma forma de diminuir a demanda por animais de criadores, que freqüentemente são vendidos para outros estados e transportados por avião.

Em suma, o que aconteceu com Santiago não foi um acidente, mas o resultado de negligência todas as partes envolvidas. E o caso ilustra mais uma vez o problema da criação de animais e a domesticação em geral. Se os veganos têm cães em casa, esses são resgatados, verdadeiros refugiados da exploração humana. É nossa obrigação amparar os vulneráveis.

O objetivo é que todos os animais sejam livres, e domesticação atrapalha essa meta porque domesticar é escravizar e quem cria animais perpetua esse ciclo de crueldade. Importa se algumas raças de animais inventadas pelo homem desapareçam? De jeito nenhum. Conviver com animais é maravilhoso, mas é melhor ainda quando é em pé de igualdade.  

O bom mesmo é apreciar os animais em seu habitat.

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