28 de jun de 2011

Carroça é um anacronismo que precisa sair de cena


É incrível o que algumas lágrimas derramadas podem fazer. Na semana passada vários meios de comunicação noticiaram que um carroceiro chorou quando a égua que puxava sua carroça teve que ser eutanasiada após ser ferida durante um acidente automobilístico em uma rodovia na região do município de Serrana, a 313km de São Paulo. A foto de Christiano Verola com a cabeça da égua de 13 anos em seu colo comoveu. Seu pai também sofreu ferimentos durante o incidente. 


 Por debaixo de uma história aparentemente comovente e de ternura o que a mídia convenientemente esqueceu-se de sublinhar, animada como sempre com a possibilidade de vender uma narrativa com drama, é o absurdo da situação. Como podemos ter animais de tração em pleno século XXI, ainda mais na beira de uma rodovia? A morte da égua virou um mero detalhe no drama. O choro de Christiano tornou-se o protagonista. Mas essa não é a história aqui e sim a pobreza e a exploração de animais. Eu não duvido da sinceridade das lágrimas de Christiano, mas isso não o livra da responsabilidade que ele tinha de zelar pela segurança do animal e da nossa sociedade de criar empregos reais para as pessoas. 

O desdobramento dessa estória é que a prefeitura da cidade está aceitando doações em dinheiro para comprar um novo animal para Christiano. Ou seja, ao invés de ajudar a prefeitura vai perpetuar o ciclo de exploração. O que as autoridades e a comunidade local deveriam fazer é conseguir um trabalho para esse rapaz. Não é possível que eles considerem uma carroça uma fonte digna de trabalho. Vamos acabar com esse ciclo de exploração, caso por caso. As matérias enfatizam como Christiano gosta de cavalos. Mas gostar de um animal não significa ter que possuir um. Os eqüinos merecem ser aposentados para sempre, eles já trabalharam demais ao longo da história da humanidade.
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