28 de mai de 2011

Zuckerberg: carne feliz e anestesia moral

Primeiro circularam os rumores que Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, era vegano. Em seguida, esse rumor foi desmentido quando circulou na web uma foto dele comendo carne em uma churrascaria, em São Paulo. Esta semana, Zuckerberg disse, em uma carta publicada pela revista Fortune, que agora só come carne de animal que ele mesmo mate. “Este ano me tornei praticamente um vegetariano porque a única carne que como procede de animais que eu mesmo mato. Até o momento, tem sido uma boa experiência, como alimentos mais saudáveis e aprendi muito sobre agricultura sustentável e criação de animais”, escreveu Zuckerberg à Fortune. Zuckerberg começou sua experiência com uma lagosta, que submergiu em água fervendo.

O jovem bilionário tornou-se mais uma celebridade a cair no engodo da chamada ‘carne feliz’. Primeiro, uma correção: as mesmas matérias que dizem que ele mesmo mata sua presa dizem que ele escolhe o animal e um açougueiro se encarrega de fazer o serviço sujo. Ele justifica sua decisão dizendo que devemos prestar atenção na origem de nossa comida e mostrar reverência ao ser vivo cujo corpo foi sacrificado para nosso sustento. Ele também disse que quando não come em restaurantes ele opta por pratos vegetarianos.

Uma lógica sem sentido porque Mark assume que desde que exista contrição no coração do carnista, de alguma forma a morte do animal será menos terrível e agonizante. Para o animal não importa se ele vai parar no prato de uma pessoa que se importa com a sua morte ou não. O que fundamentalmente interessa para o animal é permanecer vivo. E o que interessa ainda mais no plano holístico e que esse animal não tenha nascido e sido criado para simplesmente servir a um propósito tão degradante e prejudicial ao planeta.

Como muitas pessoas hoje em dia, Zuckerberg quer uma expiação de seu ‘pecado’, como se gestos simbólicos bastassem. Talvez sua preocupação seja genuína, mas ele não permite que a compaixão que parece sentir seja seja expressada em ação verdadeira e real, que nesse caso se traduziria em tornar-se vegano.

O que nos deixa curioso é como uma pessoa que criou uma ferramenta social que conecta tantas pessoas na rede, através de uma enorme metáfora tecnológica, não percebe a conexão que temos com animais de outras espécies. Seria o lado egoísta que o cega para a verdade que se explicita diante de seus olhos? Tomara que ele perceba, o quanto antes, que inventou uma anestesia moral para justificar seu hábito de comer animais. Para os animais e o meio ambiente (que sofre até mais com a chamada carne orgânica, pelo espaço maior que ela requer) não faz diferença alguma.
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